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quarta-feira, 27 de julho de 2011

DIÁLOGO ENTRE ARISTÓTELES E UM CRISTÃO


Todo o conflito da religião está em que ela diz ter a “verdade”!Contudo a grande pergunta é: “O que é a verdade? Essa é a raiz de todo o problema.

As religiões monoteístas têm em comum o principio grego da razão! A resposta ao o que é a verdade é: “verdade é a concordância entre o intelecto e a gramática”; Ou seja, aquilo que cala a mente, que na sua construção produz uma lógica (logos).

Sendo assim a verdade do cristão, não pode ser a verdade do mulçumano.

Tudo é firmado na filosofia de Aristóteles, onde existe o axioma da chamada “lei da não contradição”.

Isso quer dizer aquilo que afirmo ser, não pode não ser! Se eu tenho a verdade logo você não pode ter a verdade, pois as duas afirmações ferem a lei da não contradição.

Logo a verdade exclui o oposto, se você tem a verdade, e o que eu tiver não concordar com a sua verdade, uma das duas é mentira. Sendo assim jamais o oposto pode ser verdade!

Acontece que as religiões monoteístas enfrentam em seu credo algo que é contraditório na própria gramática e na lei da não contradição de Aristóteles, veja:

Aristóteles inicia o diálogo:
ARISTÓTELES:
- O que é morte?

DISCÍPULO
- Morte é o fim da vida

ARISTÓTELES:
- Como é que se morre

DISCÍPULO
- Quando termina a vida.

ARISTÓTELES:
- A morte é o fim da vida!

DISCÍPULO:
Não é o começo da vida!

ARISTÓTELES:
 - Se irrita e diz: Como a morte pode ser o começo da vida se você diz que ela é o fim da vida? Você tem que optar, ou é o começo ou o fim! Umas das duas afirmações não é verdade!

DISCÍPULO
- È pela fé.

ARISTÓTELES:
Fé? O que é isso? Essa fé é irracional? Não! Uma verdade não pode afirmar e negar ao mesmo tempo a afirmação que havia afirmado!

DISCÍPULO
- Não sei se pode ou não, mas eu creio! E por isso afirmo.

ARISTOTELES
- Assim não dá, para conversar, você afirma uma coisa e depois contraria a primeira afirmação!

Ambos vão embora e nao entram num acordo...

As religiões têm sua base no paradoxo, isso quer dizer que são afirmações contraditórias que não são passiveis de paz na gramática nem no intelecto.

Mas o fato de se “contradizer” na gramática, não significa que não seja verdade! Pois a verdade como conceito grego, exige concordância através da razão!

Mas quem disse que a fé busca a razão?
Fé não nasce no desejo de entender, mas de viver. A fé é fecundada pelo “semém” do desejo...

domingo, 19 de junho de 2011

Marx e Cristo:Um diálogo a partir dos oprimidos

“Os proletários nada tem a perder fora suas correntes; tem o mundo a ganhar”

(Marx e Engels. O manifesto comunista. Ed paz e terra. p. 65) [1].

“... O Senhor ungiu-me para levar boas notícias aos pobres (...) libertação das trevas aos prisioneiros (Isaias 61.1)”.

 “Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Abriu-o e encontrou o lugar onde está escrito: (...) ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres (...) para libertar os oprimidos (...) (Lucas 4. 17-21)”.

O manifesto comunista apresenta em sua gênese uma correlação com toda a filosofia judaico-cristã no tocante a justiça social em seus escritos. O oprimido sempre foi desde os escritos da lei Mosaica até os evangelhos na era cristã, alvo de libertação  e indignação de Deus devido a exploração, dos que governavam a nação.

No manifesto comunista vemos que Marx e Engels têm em todo o discurso uma preocupação com a classe dominada. Essa em toda história é produtora da riqueza, é protagonista do produto capitalista. Contudo o sistema de produção é injusto no retorno do que nomina “salário”, pois é sempre o mínimo pela produção e ainda o trabalhador é transformado um material de produção.

Esse sistema que recebe o nome mercado é personalizado, e para isso usam-se eufemismos de sentimentos como: “o mercado está nervoso”, “o mercado está calmo”, “o mercado está instável”, “o mercado está de ressaca”! Enquanto o homem é despersonalizado, tornando-se o um “objeto da produção”, A produção e o consumo ganha personalidade...

Será que cristianismo do ocidente em suas diversas ramificações que na história se considera a patentedora da moral, não percebeu que desde o nascimento da burguesia ao capitalismo atual, há uma conspiração contra a dignidade da vida humana? Ou será que percebeu, mas optou pela omissão, devido estar sempre ao dado da classe dominante?

Será que Marx no seu ateísmo materialista, não tem na gênese do manifesto comunista os princípios mais elementares do cristianismo em sua nascente? Nos escritos da religião cristã não é contrário a toda a injustiça social?  No entanto se omitiu diante da classe dominante. Marx no ateísmo materialista lutou pela justiça que os Teistas defendiam na teoria, mas não conseguiram na prática a teoria confessada.

Quais os limites da do manifesto comunista? Creio que parte da resposta é: “A maldade e o egoísmo do homem”.  Principalmente de quem se alimenta com a exploração do pobre. O poder e a ganância são insaciáveis, a moral instituída no sistema contemporâneo é imoral, legitima a opressão, legaliza a desumanização do homem.

O sociólogo Zigmunt Bauman [2], denomina “Modernidade Liquida”: “As relações são fragilizadas, e descartáveis: “assim, para eles [nossos conviventes], o que conta é o tempo, mais do que o espaço que lhes toca ocupar; espaço que, afinal, preenchem apenas ‘por um momento [grifo do autor]” (BAUMAN, 2001, p. 8).

Numa “modernidade liquida”, não há espaço para nada sólido... O capitalismo se alimenta do descartável, provisório, e o homem é o melhor produto...

______________________________________
[1] MARX, Karl. ENGELS, Friedrich. O Manifesto comunista. Ed. Paz Ed terra. São Paulo – SP. 1998.
[2] http://www.klepsidra.net/klepsidra23/modernidade.htm

sexta-feira, 29 de abril de 2011

NIETSCHE E A RELIGIÃO


Um dos principais métodos para a aprendizagem é a DÚVIDA, a partir dessa a gente começa a questionar, a buscar resposta, esse é um bom começo. A filosofia de Nietsche na sua critica a religião principalmente ao cristianismo está no seguinte:

“O paraíso ou céu tem um preço e qual é esse preço? Todos os sentidos que temos como vontade, desejos, tudo aquilo que o nosso corpo deseja, se opõe a alcançar esse mundo do porvir, que está em oposição aos desejos”.

Paulo tem essa mesma idéia quando diz que para alcançarmos o céu, precisamos aniquilar os desejos da carne (que se manifestam no corpo) para herdarmos o céu. (Que está na outra vida). Esse mundo dos sentidos de Platão é o mesmo que a Carne, e o mundo noumenal que é o ideal, equivalem ao céu à outra vida, pois nessa vida para Platão os sentidos são impedimentos, pois o corpo prende a alma, da mesma forma Paulo diz que a carne (sentidos) é inimiga do Espírito (não físico ideal).

Semelhante a Platão, Paulo consciente ou inconsciente advoga que o corpo é inimigo do Espírito, já que a CARNE entenda esse termo como “desejos que se manifestam no corpo”, milita contra o ESPIRITO, para que esse não faça aquilo que deseja, ou seja, é preciso anular todos os desejos da carne para herdar o céu. Isso significa anular os impulsos naturais do corpo.

Nietsche critica o cristianismo chamando-o de PLATONISMO PARA O POVO, isso por que a filosofia nos tempos de Platão era linguagem da elite. Paulo usa os conceitos de Platão e anuncia por todo o império romano, os princípios da filosofia de Platão para o povo não elitizado.

Nietsche diz que negar os desejos em prol de um mundo noumenal (ideal) na filosofia de Platão, ou negar os desejos que ele chama de AFETOS em pról de um paraíso ou céu no cristianismo, é viver uma vida de FUGA do DEVIR, ou seja, para deter o fluxo continuo da vida que é mudança, crio um principio metafísico, do SER que não muda. Aristóteles o define como o MOTOR IMÓVEL uma força que move todas as coisas, mas não é movido.

No judaísmo esse SER é chamado YAVÉ, no cristianismo JESUS, no Islamismo ALÁ. Esse SER tem princípios imutáveis, regras, dogmas, que ao serem obedecidas, levará o fiél a outra vida, e o recompensará pelo fato dele ter negado os impulsos ou vontade de potencia (NIETSCHE). No judaísmo é a NOVA JERUSALÉM, cristianismo como CÉU, e no ISLAMSMO é PARAISO.

A critica de Nietsche é que para alcançar essa vida fora do corpo, o homem precisa negar os afetos. Acontece que os afetos são a própria vida, e o que chamamos de sentimentos são a “moralização dos afetos”. Reprimi-los é reprimir a vida, uma covardia do homem que anula o viver aqui, em prol de outra vida que supostamente haverá de vir.

Nietsche não para por ai, ele já pertence a modernidade, critica a CIÊNCIA, chamando a de RELIGIÃO. A religião leva o homem a fuga do que ele chama de DEVIR, que significa MUDANÇA, pela necessidade de duração criada pelo homem em razão de que o universo está em constante mudança.

A filosofia grega e as religiões monoteístas dão continuidade a filosofia de PARMENIDES, onde o principio é o ARCHÉ ou SER. NIETSHE dá continuidade ao pensamento de HERÁCLITO, que o principio não é um ser estático, mas o DEVIR, ou seja, no universo tudo se faz, se desintegra e se refaz (esse é o principio da física quântica, da energia que se transforma em matéria e novamente volta ao estado energia, num movimento constante, ora como ondas, ora como partículas) nada está fixo.

NIETSCHE diz que a ciência substituiria o CRISTIANISMO, essa seria a “morte de Deus”, pois no lugar da “fé em Deus”, entra a fé no “homem cientista”. A fé cristã tira o homem do presente quando o leva a viver na dimensão do céu que virá anulando o hoje. A ciência em sua natureza também é religiosa, pois promete o “paraíso” de uma forma metafísica, chamando-a de “futuro”.

A evolução do conhecimento era uma “fé”, ou convicção, que através dela todos os problemas da humanidade seriam resolvidos. Essa idéia era inconscientemente o principio da fé cristã que no paraíso o ESPIRITO não mais lutará contra a CARNE. A ciência prometia também no futuro, um “PARAISO”, pois o conhecimento aniquilaria os conflitos do homem. O principio básico da ciência também é a Fé!

Nietsche chama as propostas da religião e da ciência de NIILISMO (Vazio, nada) visto que as duas projetam para o futuro a solução dos problemas da humanidade. Ambas anulam a vida, o presente, e o devir, em troca de algo que segundo ele não acontecerá!

A matriz filosófica da ciência é a dedução, que busca a comprovação, a da religião é a revelação. Na primeira o êxito está na prova, à tese busca aniquilar toda anti-tese. A religião propõe a tese, e vai além da anti-tese, pois no âmbito da revelação predomina a síntese da dedução e do mistério. A religião não precisa de comprovação, sua dimensão é a convicção que não necessita ser provada para subsistir.

A ciência não conseguiu provar que por meio dela o homem faria do universo um paraíso, entrou em descrédito, quanto à religião continua com sua credibilidade, afinal ela é DESEJO, aceita como verdade o que não se pode provar. A prova do que se crê é o percurso que faz com que a  fé se transforme em ciência.

sábado, 9 de abril de 2011

O QUE JESUS QUIS DIZER COM "VENCER O MUNDO"?

Jesus começa a sua despedida no capitulo 14 do evangelho de João, falando que na casa do pai HÁ MUITAS MORADAS caso contrário ele teria dito: “POIS VOU PREPARAR LUGAR e caso fosse, se não houvesse moradas, ele iria e voltaria para que os discípulos estivessem onde ele estaria. (Jo 14.1-3). 

Ele disse rogaria ao pai para que enviasse outro consolador, para que ficasse com eles para sempre (Jo 14.16). Prometeu que não os deixaria órfãos e que voltaria para eles: “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14. 23).

Jesus então disse como ele virá e fará morada naqueles que guardar a sua palavra : “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”. (Jo 14.23).

Quando Jesus diz que no mundo tereis aflições (Jo 16.33). Ele está falando do sistema que é justamente o oposto do que ele vai falar. Ele mostra que entre Ele e o pai não há hierarquia de poder, que a sua submissão tem base no amor” (Jo 17.1-5). Isso porque mesmo usando o termo PAI, ele mostra um relacionamento de reciprocidade, sem nenhuma patente de superioridade.

Jesus o filho estava EM CARNE! (Jo1.14). Ele desce a uma esfera inferior, mas mostra que o pai o trata com igualdade! Na oração registrada no evangelho segundo João, Ele mostra que mundo é esse que ele diz ser instrumento de aflição e que os seus discípulos em todos os tempos deveriam vencer.

Mundo é todo relacionamento que usa do poder para se impor! Um sistema que tem seus relacionamentos com base na imposição da hierarquia. Mundo se manifesta em toda tentava de manter a ordem através da coerção.  (Jo 17. 1-5)

O evangelho é relacionamentos! A essência do evangelho é mostrar como que Deus o PAI se relaciona com seus filhos através do seu FILHO Jesus! Ele havia mostrado que os relacionamentos não devem ser estabelecidos numa ordem hierárquica, pois quando alguém se sujeita por imposição, ele faz por não ter opção, faz o que lhe é dever, mas tudo que é feito por dever, exclui o prazer, a alegria!

Jesus diz que é chegada a hora e pede para que o pai lhe glorifique, para que ele retribua (Jo 17.1). O pai dá ao filho e o filho se compromete em retribuir mostra que a submissão ao pai, deve existir tendo por base a liberdade, por isso ele mostra que recebeu poder sobre toda a carne, (homens), para ao mesmo tempo para dar a vida a todos quantos ele recebeu (Jo 17.2).

Quando o relacionamento não tem base no poder do maior na escala hierárquica, há retribuição voluntaria, há uma submissão espontânea por isso Jesus disse: “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” (Jo 17.4). A honra que o PAI deu ao filho o motivou levar adiante a obra que recebeu.

A liberdade traz reciprocidade sincera, enquanto a imposição traz mascaras, fingimento. Só tem ao lado a pessoa que ama, quando a pessoa amada tem liberdade para decidir não ficar ao seu lado e faz opção por ficar. Na liberdade se manifesta o amor e a verdade, pois só quem dá liberdade prova que ama, e só quem fica ao lado de quem tem a liberdade para não ficar, realmente fica porque ama.

Mundo é todo relacionamento com as posses, como se essas fossem realmente do possuidor! Tudo era do pai, e do filho. Pai e Filho tinham tudo, mas os dois se relacionavam como se não tivessem nada! (Jo 17. 6-10).

Mundo é um sistema onde a pessoa se relaciona com egoísmo para com os bens que conquista. Jesus mostra que o mundo se relaciona com base no egoísmo, na oração ele diz que manifestou o nome do pai aos homens que do MUNDO ME DESTE, eram TEUS e tu MOS DESTE (Jo 17.6) e que agora eles conheciam que TUDO QUANTO ME DESTE e eles a RECEBERAM e tem verdadeiramente conhecido que SAI DE TI e creram que ME ENVIASTE (Jo 17.7,8).

Eu não rogo pelo MUNDO (nesse caso mundo pode se interpretar que naquele momento a oração tinha era para os que seriam futuramente seus discípulos e não todas as pessoas), ele continua: “mas por aqueles que me deste, porque são teus”. (Jo 17.9). Depois ele conclui: “E todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e nisso sou glorificado” (Jo 17.10).

Ele diz que estando no mundo guardou os discípulos no nome do pai, e que nenhum deles havia se perdido exceto o filho da perdição para que a escritura se cumprisse (Jo 17.12).

Judas se perdeu como? Perdeu a “salvação” onde está escrito que Judas perdeu a salvação? Em nenhum lugar diz que Judas perdeu a salvação, todos os discípulos ainda estavam vivos e essa oração foi feita antes da morte de Judas. Jesus disse que os outros discípulos ele guardou, mas que Judas se perdeu, porque se deixou seduzir pelo amor a POSSES. Quem se deixa seduzir pelo que deseja conquistar ou pela conquista que deseja, se perde porque esse é o sistema do mundo. No texto não fala sobre perdição como “perder a salvação”, aliais sequer surge o termo salvação no texto! Quem colocou no texto foi a interpretação da tradição!

Ganhar o mundo e perder a alma não é aproveitar a vida aqui no mundo e não ir para o céu, mas conquistar o que deseja aqui em troca de uma vida amarga, sem sensibilidade, sem alegria “Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?” (Mc 8.36). Muitos entenderam que Jesus estava propondo uma troca, trocar a vida aqui pela vida do porvir.

Esse entendimento criou cristãos alienados da vida, fugitivos, e até mesmo medrosos em certos contextos! Perder a alma não é perder a salvação para o mundo que virá, mas perder a alegria em busca dos poderes que o sistema do mundo oferece! E em busca de conquistar o que deseja perder o desejo de desfrutar a própria vida.

A pergunta é de quem são mesmo todas as coisas? Do filho ou do pai? Ele diz que todas as coisas são dele, depois diz que todas as coisas são do pai! Ora nós entendemos posse se referindo na primeira pessoa do singular MINHA com antitético a SUA. Jesus e o pai se relaciona como os que TEM TUDO mas ao mesmo tempo NÃO TEM NADA. Onde estava a alegria do filho? Está em que tinha tudo, ao mesmo tempo tudo não era exclusivamente seu, mesmo tendo tudo ele viveu como se não tivesse nada! “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. (Mt 8.20).

Só desfruta de tudo que tem quem tem tudo, mas vive como se não tivesse nada. A segurança no que se tem, tira a alegria de desfrutar o que está em seu poder, visto ter medo de um dia ficar sem nada, mas quem já vive como se nada tivesse não tem nada a temer, pois não tem o que perder!

Jesus mostra que mundo é um sistema de vida organizado no EGOISMO onde aquilo que é meu nunca é compartilhado com o outro, é viver em torno das posses, é nunca aproveitar a vida porque sempre tem que economizar, é nunca deixar que outro usufrua daquilo que é minha posse.

Mundo para Jesus e desejar ter tudo e ter a sensação de não ter nada, e o oposto ao sistema do mundo e viver como se tivesse tudo, mas ao mesmo tempo ter consciência que não tem nada, afinal realmente não temos. Quando se tem essa consciência, a vida pode ser mais leve, pode-se desfrutar melhor do que se conquista, pode se aproveitar o que se tem, por ter consciência que na realidade nada se tem, tudo vai passar!  

Mundo é todo relacionamento que exclui os diferentes. O Filho se fez carne, o pai é Espírito, contudo são UM! Na encarnação as diferenças entre eles convergiram para a unidade na diversidade! (Jo 17.11, 21-22).

]Na encarnação o filho desceu a uma dimensão inferior de vida, ficou limitado ao tempo, sentiu todas as fraquezas humanas. Mas o  relacionamento que Ele tinha com o pai se manteve em harmonia como o que Ele tinha desde a fundação do mundo! (Jo 17.5). Jesus fala que já não está mais no mundo, mas os discípulos continuarão no mundo e ele iria para junto do pai e pede para que o pai os guarde em seu nome os que lhe deste “PARA QUE SEJAM UM, ASSIM COMO NÓS” (Jo 17.11). Ele fere o principio da gramática “sejam um” assim como “nós somos um”. Ele não segue a lógica da gramática e nem da matemática.

Na gramática plural e singular são auto-excludentes, não podem conviver na mesma frase, isso porque a gramática é construção da lógica, trabalha com concordância, relacionamentos precisam existir mesmo com discordâncias! Jesus mostra que a diversidade deve convergir para a unidade, pois há diferença entre unidade na uniformidade para a unidade na diversidade


Na primeira as diferenças são anuladas, tudo se parece, mas não é, consegue fazer com que todos venham agir da mesma forma, contudo não conseguira fazer com que ações e pensamentos andem juntos. Na segunda há tolerância para os que pensam diferente, consegue manter a unidade pelo fato de ter o mesmo propósito. Jesus nunca quis uma unidade de pensamento, mas uma unidade de objetivos. A forma com que os objetivos são alcançados são diferentes.

“E eu dei-lhes a glória que a mim me deste para que SEJAM UM como NÓS SOMOS UM. Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” ( Jo 17.21,22)

Jesus já antevia o principio da física quântica que relativiza o significado do numero UM! Não existe “UM” como unidade independente! Nenhum objeto é único, visto estar em conexão com as demais leis do universo. Jesus já dizia que Ele e o pai, adotaram esse principio desde a eternidade “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus (Jo 1.1) e queria que os discípulos assim o fizessem, Pedro, Tiago, João, Tomé, Felipe, pessoas diferentes que jamais teriam UNIFORMIDADE, poderiam ter UNIDADE.

Quando se busca unidade na diversidade preserva-se a singularidade. Deus é singular e criou seres singulares, cada um com características ímpares.  A exclusão para com os diferentes é o que Jesus chamou de mundo, para ele a unidade dos discípulos iria tornar mensagem do evangelho digna de credibilidade, não significa pensar igual tão pouco se expressar da mesma forma, mas reconhecer a magnitude da manifestação  da multiforme sabedoria de Deus.

sábado, 2 de abril de 2011

LULA E DILMA: O PRÍNCIPE DE MAQUIAVEL


Maquiavel usou como símbolo os animais para relacionar a forma com que o príncipe deveria agir diante do desafio de manter o poder. As figuras foram o LEÃO e a RAPOSA. O LEÃO tem a FORÇA, lhe falta a ASTÚCIA, por isso  cai em armadilhas!  A raposa tem a astucia, mas lhe falta a força, precisa da força do leão contra ameaça que exige músculos... O que há no leão, falta na raposa...

Maquiavel recomenda que o príncipe tenha no seu governo ambas as dimensões. A força do leão e a astucia da raposa! A Presidenta Dilma é inteligentíssima... Já mostrou que tem um pouco dos dois animais.

Ela foi o príncipe (governo) que embora eleita pelo povo, foi colocada no poder pela aliança dos poderosos... Maquiavel adverte:

“Quando o príncipe é posto pelo povo ele é amado do povo e deve ter cuidado com os poderosos, embora os poderosos não terão tanta força visto que o apoio do povo inibe a rebelião da elite”.

Contudo a Dilma foi eleita pelo povo, mas através da aliança dos “nobres” (PT e PMDB e companhia). Veja o que aconteceu logo no inicio do seu governo, o PMDB começou a querer a fatia do bolo. Maquiavel já advertia que nesse caso o perigo é que “os aliados não podem ser mais forte do que o príncipe”, isso porque poderiam se constituir uma ameaça ao seu poder! Dilma no inicio do seu governo teve problemas com seu maior aliado o PMDB.

A Dilma aderiu ao conselho de Maquiavel, usou a ASTUCIA DA RAPOSA.  Ela saiu de cena da mídia... Por quê? O Lula não saía da mídia, tinha uma extrema popularidade, se ela fica em cena, o que ela fizesse de bom não faria efeito diante dos feitos do seu antecessor.  

“Quando o príncipe beneficia o povo seu sucessor dificilmente apaga as lembranças que ficam na memória, e o que lhe sucede por mais que faça não conseguirá apagar os feitos da memória do povo”. (Maquiavel).

Ela estaria em desvantagem se aparecesse na mídia, isso porque, se fizesse algo que desagradasse o povo, por mínimo que fosse ganharia repercussão sempre, seria comparada a praticamente um “mito”.

Ela seguiu o conselho de Maquiavel, saiu da mídia (ASTÚCIA DA RAPOSA), enfrenta o Irã (FORÇA DO LEÃO), se aproxima da América (ASTUCIA DA RAPOSA) que (estava com um pé atrás com governo anterior, justamente pelo apoio ao IRÃ).

 Ela agiu em oposição ao governo anterior ao enfrentar o IRÃ, ao mesmo tempo em que se aproximou daqueles que o ex-principe havia se afastado!

O mito da criatura que quer independência do seu criador se repete. Só resta saber se essa independência trará punição como trouxe a ADÃO e PROMETEU. Imagine o LULA “comendo o fígado” da DILMA! (Acho que não ir à visita do Obama foi pelo tentar dar uma “BICADA” no seu fígado!

A próxima eleição promete... Uma coisa é certa toda criatura que se rebela contra seu criador não fica sem punição. ADÃO ou PROMETEU, o primeiro foi EXPULSO do jardim, o segundo teve o seu FIGADO COMIDO durante o dia, e regenerado durante a noite para ser comido novamente no dia seguinte e assim eternamente...

Se o lula acha que a DILMA foi cria dele (o que é verdade)... O mito será confrontado, a criatura poderá superar o criador (as pesquisas já apontam um inicio de governo melhor que o anterior) não se iludam! Ela é mais inteligente do que parecia ser...

2014 Dilma poderá facilmente se reeleger... Basta continuar usando a ASTÚCIA DA RAPOSA... E quando precisar usar a força da LEOA... 

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O que é a verdade?

O que é a verdade? (Jo 18.38). Essa não deve ser a pergunta, mas sim: “Para que saber a verdade”?  Está disposto a enfrentar as conseqüências de saber a verdade? 


Jesus disse que o conhecimento da verdade liberta. (Jo 8.32). Contudo “conhecer a verdade”, não é assimilar um conjunto de normas ou regras: “Aquele que prática” (Jo 8.36).

Conhecer a verdade no conceito de Jesus  é enfrentar o conflito  entre o “ego” e o “ super-ego”, o que se deseja  mas não aprova pelo fato de que o objeto do desejo ser contrário a consciência. 

A herança da teologia cristã num âmbito geral tem sua reflexão nos conceitos da soberania de Deus oriunda da reforma, que na realidade foi emprestada do conceito grego de Aristóteles do "motor imóvel". 


Para os gregos o “arché” é o principio o “logos”, a razão que move todas as coisas é não é movido por nada.

No embate com os fariseus Jesus disse: “E conhecereis a verdade”! Eles replicaram que eram “descendência de Abraão” e por isso eram livres. Conhecer a verdade para eles era ter conhecimento da teologia judaica e da tradição dos rabinos, das normas e regras a serem obedecidas, além da genética de Abraão!

Jesus se antecipa ao principio de sociologia Marxista e diz: “Aquele que pratica” (faz) (Jo 8.36). A verdade para Jesus tem sua gênese na AÇÃO! Marx certamente gostaria da resposta que Jesus deu aos fariseus. A verdade não prende tudo nos seus decretos, não está impassível na sua redoma de transcendência, como está nos "Deus dos reformadores", e na teologia tradicional.
                                                                                     
A verdade surge na história, é construída pelo sujeito que age, no conflito entre o principio do prazer e a realidade, na luta do ego x superego, ou classe dominante e a dominada, na ganância do capitalista e na exploração do trabalhador. Quem tem uma verdade atemporal congelada, não consegue dialogar com o fluxo continuo e paradoxal da vida.

A verdade tem varias faces, na verdade são “verdades”.  Uma é a verdade dos banqueiros outra é a do cliente que paga altas taxas de juros para que esse use seu dinheiro na especulação financeira.

Uma é a verdade do trabalhador explorado na sua dignidade, violentado, visto que seu trabalho, fruto da troca da energia do seu corpo pela sobrevivência, não consegue alimentar o próprio corpo que produz o alimento, para ele sobreviver, isso porque o capitalista precisa estocar a produção, para sustentar a sua ganância na valoração do produto.

Uma é a verdade da história narrada pelo exercito que vence a guerra,  outra é a verdade da narração da mesma história pelo exército que foi derrotado. A mesma história tem  “verdades diferentes” e nenhum dos dois irá narrar à “verdade do outro”, visto que toda a verdade nasce da luta do homem por sua sobrevivência.

Pilatos fez bem em virar as costas ao perguntar a Jesus o que é a verdade: “e saiu novamente” (Jo 8.38). Conhecer  verdade para que? A não ser que queira viver na dimensão que ela exige! Cada um tem a sua verdade, e sinceramente ninguém está satisfeito com ela. Conhecer a verdade é mecanismo para a produção da culpa, visto que a verdade surge na negação do conflito, na consciencia da impotência.


A verdade nasce no corpo, mas transcende quando esse não tem capacidade para suportá-la. 
A verdade que liberta é aquela que leva a pessoa a viver em consonância com aquilo que sabe dela, do contrário ela será produtora da arrogância naqueles que  tentam viver de acordo com a "verdade do senso comum" mas no seu interior sabe que não a vive.   


A verdade é também produtora da culpa naquele que a conhece no intelecto mas não a consegue  transportar da subjetividade da teoria para a  concretização dos seus atos. Só quero conhecer a quantidade de verdade que puder viver de acordo com ela, do contrário, acho que é melhor não saber a verdade se ao conhecê-la viver em oposição a consciência. Mas como não tenho opção entre conhecer ou não a "verdade", vou tentar vivê-la no limite do possível que a conheço. 


Ora andando de acordo com ela,  ora se culpando por conhecê-la e transgredi-la.  A verdade é que a "verdade"  é implacável, por isso João disse que cristo veio: "Cheio de graça e verdade". (Jo 1.18). 


A verdade deve ser precedida pela graça, sem a graça para viver a verdade, a vida pode ser aniquilada.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Como Deus se relaciona comigo?


JEREMIAS 18.1-10
Uma das perguntas mais importantes para o cristão é: “Como Deus se relaciona comigo”? Ter uma visão clara de como Deus intervém na dimensão humana é importante para que a vida do cristão tenha consolo, ao mesmo tempo evita o descontrole, de ficar sempre com medo de que Deus vai fazer algo que está totalmente contra a sua vontade.


No contexto proximo ao episódio onde Jeremias vai a casa do oleiro, Deus já estava  advertindo a tribo de Judá,  que estava em decandencia. Haviam se afastado de Deus e estava caminhando para colher as consequências dos seus atos. (Jr 17.1-27).  Essa tribo iria mais tarde ser levada ao cativeiro em babilônia . (Jr 29.10-11).

Deus chama Jeremias e o manda a casa do oleiro, ao chegar lá Deus usa um processo pedagógico audio-visual, manda ele observar o trabalho do artesão ao mesmo tempo em que fala ao seu coração. Nessa experiência narrada por Jeremias, Deus mostra como ele se relaciona com o homem. O texto mostra uma  figura de Lingugem com três componentes de forma simbólica:
O oleiro = Deus
A roda  = A vida
O barro em cima da roda = O homem  (representado no texto pela tribo de judá).

Nessa narrativa veremos alguns principios deixados por Deus para nos indicar como Ele se relaciona com o homem criado a sua imagem e semelhança:

I. Deus nos da a vida e nos coloca em movimento. Viva consciente de que no movimento da vida, o im-previsto é pré-visto por Deus. Ele não nos impede de correr riscos (Jr 18. 3).

 Jeremias ao chegar a casa do oleiro viu que “ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas” (v3). O oleiro colocou o barro num local de movimento, isso porque, a vida é um processo, e tudo no universo se move. O oleiro sabe que ao colocar o barro em cima da roda havera riscos, contudo ele também sabe que uma vida sem riscos não tem significado.

O risco do barro estar sobre as rodas é grande, mas o alvo é maior, todo barro necessita de uma trajetória até se tornar vaso, antes de ser vaso, o vaso é barro. Um vaso não deixa de ser  barro  mas ganha forma , no entanto ele precisa estar em movimento:  “em cima da roda”. Quem quiser se relacionar com Deus precisa saber que ao nos dar vida, Ele já sabe que iriamos ter imprevistos, contudo aquilo que nao é visto pelo homem é ante-visto por Deus. Viva a vida e corra risco, pois correr risco é a essencia de quem está vivo. Deus nos deu a vida e junto com elas essas possibilidades.

II –Deus nos deu a vida para aprendermos que Ele nos tem nas mãos, mas isso não significa que vai nos livar dos acontecimentos que nos causam dor, mesmo estando em suas mãos há possibilidade de nos quebrarmos (Jr 18. 4).

A figura do oleiro e do barro mostra a pedagogia divina no tocante a sua atitude diante do  homem. A roda simboliza a vida, o homem é o barro que gira. A vida é movimento, o barro precisa suportar as contingências do movimento, afinal o mais previsto na vida é justamente o imprevisto! O vaso se “quebrou”, não foi o oleiro que o quebrou,  portanto não precisa pedir para o “oleiro quebrar o vaso”, deixe que a vida se encarrega disso, pois tudo o que está em movimento está em risco.

Deus não tem prazer no sofrimento humano. O sofrimento é um mal necessário, somos compostos de matéria frágil. O texto diz : “o vaso se lhe quebrou nas mãos”! Eis ai um paradoxo: “Se estou nas mãos de Deus como posso me quebrar”? Deua não é todo poderoso? A resposta é sim, mas quem disse que ser todo poderoso é fazer todas as coias? Ser todo poderoso é ter poder para não fazer! Deus é tão poderoso que trabalha com a liberdade humana. Ele limita o seu poder pela nossa liberdade, pois caso contrário ele não poderia dizer que nos ama! O amor se expressa na liberdade de quem ama e o objeto do seu amor.

As pessoas querem um Deus que as livre das adversidades da vida, que não as deixe sofrer, contudo esquecem que a vida é sofrimento, não há como viver sem sofrer. O vaso se quebrou nas mãos do oleiro. Estar nas mãos do oleiro não significa a isenção do sofrimento e das quedas, mas que nos sofrimentos e nas quedas, a mão do oleiro sempre está próxima para nos ajudar a prosseguir.

III. Deus nos Deus  a vida  para corrermos riscos, as quedas pode nos fazer perder a forma anterior, mas no processo de des-construção, o alvo é ser re-construido com uma forma melhor que a anterior (Jr 18. 4-5).

Jeremias observa que o oleiro pega o barro e certamente põe na roda e novamente reinicia o processo da arte. Deus faz uma pergunta a Jeremias: “Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel. (v.5).

A Pergunta aparentemente reivindica uma afirmativa, mas na prática a resposta é: “Não jeremias não posso”! Isso está explicito no capitulo 17. Então porque Deus faz aquela pergunta? Toda figura de linguagem tem um limite de aplicação dentro da hermenêutica. Nenhuma figura esgota o sentido do texto em sua integra, pois não consegue acompanhar a dimensão de correlação! Deus estava dizendo em outras palavras para Jeremias: “O oleiro tem poder sobre o vaso, eu não tenho”! “tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu.”. (v 5). Eu estou tentando! Mas até agora não consegui...e só vou consegui se judá deixar! Ele diz que da mesma forma como o barro assim seria a casa de Israel, contudo não era isso que estava acontecendo.

Judá havia caido, o barro estava sem forma, e recusava deixar Deus lhe dar nova forma. O barro na mão do oleiro é totalmente dominado pela vontade do oleiro, contudo Deus como oleiro, não viola a liberdade do homem. Ele se lamenta por não poder fazer o que o oleiro estava fazendo com o barro, pois ele queria o melhor, mas judá tinha liberdade para fazer o que achava melhor para sí mesmo. O barro na mão do oleiro não tem livre arbitrio, mas judá tinha liberdade para rejeitar a forma que o oleiro (Deus) queria lhe dar.

Da mesma forma devemos nos relacionar com Deus sabendo que ele não vai violar a nossa liberdade, embora ele queira nos dar a forma de cristo, em ultima análise que vai determinar se quer ou não ser moldados por Ele,  somos nós.  A Ele cabe apenas lamentar caso recusemos, como estava se lamentando  no caso de Judá.

IV. Deus não determina nosso futuro. O nosso futuro está em construção. Nossas decisões hoje determinam as ações de  Deus, Ele vai se alegrar com seus acertos e ajudá-lo  nos seus erros! Contudo na alegria ou na tristeza, Ele se fará presente (Jr 18. 7-10).

O que é que Deus tem para min? Que pergunta! Deus diz para Jeremias que a sua luta era que Ele queria fazer com a nação o que o oleiro estava fazendo com o barro. Acontece que o barro se quebrou nas mãos do oleiro. Veja que o oleiro não impede o vaso de cair e se quebrar, mas ser colocado na roda não depende do barro. Assim é com Deus, podemos nos quebrar, mas continuar a viver é com ele, só ele nos dá a vida e ânimo para continuar! No entanto, lembremos que Deus está usando uma figura de linguagem para falar do seu relacionamento com o  homem! O homem  ao cair continua a sua vida, mas “deixar Deus lhe dar a forma”, é opcional, essa era a  tristeza de Deus no tocante a Judá a quem ele chama de “casa de Israel” (v 6).

Na sequência Deus mostra qual a diferença entre a forma do oleiro trabalhar com o vaso sobre a roda e Ele se relacionar com o homem na vida. Ele diz que ele é um Deus interativo, na linguagem tecnológica,  ele está semper “online”. Deus fala para Jeremias que ele espera o homem agir, a partir do momento que o homem tomas as suas decisões, ele não vai impedir o homem sua ação, contudo o processo de ação deflagra consequencias. 

Se as ações do homem forem más, as consequencias será destruição, não que Ele vá destruir, mas que Ele não fará nada para impedir. Da mesma forma ele interfere eliminando o processo destrutivo que está direcionado como efeito das ações do homem: “também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe” (v 7-8).

Veja que o mal que vem de Deus não tem origem nele, mas sim num processo deflagrado pelas más ações do homem. Ninguém que está sofrendo pelas suas ações pode se queixar alegando que está sendo punido por Deus, visto que Deus: “Dá liberdade para a ação do homem, ao mesmo tempo em que o responsabiliza pelas consequencias dessa liberdade”.

Essa postura de Deus é aboluta tanto para o bem ou para o mal que o homem venha praticar, semelhantemente, o homem pode construir sua vida na prática do bem, contudo não há predileção para nenhum filho se esse venha praticar o mal, ele adverte que retira as promessas de bem, visto que o mal construói efeitos destrutivos.

Quem  quiser se relacionar com Deus deve entender que ninguém está acima do bem e do mal. Deus não determinou nem benção nem maldição para ninguém. Benção e maldição estão condicionadas a liberdde do homem. Quem quiser saber qual é seu futuro, olhe para as suas ações hoje, Deus não constroi o futuro de ninguém, ele convida o homem a ser  parceiro nessa construção.

Conclusão

Estar na roda, significa risco de se “quebrar”.  Deus não impede a queda, assim como  o oleiro não impediu o vaso de se quebrar. O homem tem liberdade para cair, mas a fé lhe dá forças para levantar. O oleiro colocou o barro novamente na roda: “tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu. ( Jr 18.4). O barro não pode dizer ao oleiro a forma que quer ter como molde. O homem pode insistir em continuar com a mesma forma que tinha antes de se “quebrar”!

Estar na roda, significa risco de se “quebrar”.  Deus não impede a queda, assim como  o oleiro não impediu o vaso de se quebrar. Depois que o oleiro colocou o barro novamente na roda: não quis lhe dar a mesma forma. ( Jr 18.4). O oleiro faz o que quer com o barro, mas Deus é limitado pelo amor! Quem ama não usurpa a liberdade do outro! A tristeza de Deus estava em que Judá iria se quebrar mais uma vez, pois ainda não tinha aprendido a usar a sua liberdade para construir a sua vida. Suas quedas anteriores não tinha exercido o processo pedagógico de aprendizado.

Deus não se entristece com quem cai, mas se decepciona com quem depois da queda permanece com a mesma forma. A razão de existir do barro (homem) em cima da roda girando (vida) não é ter medo de cair, mas de ao cair se levantar e não ter mais a  mesma forma que tinha antes da queda. A tristeza de Deus, não é nos ver de-formados com as quedas, mas ao perdermos  as formas, deixar passar a oportunidade de fazer uma re-forma! (Jr 18.6), e ganhar uma nova forma.