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sábado, 30 de novembro de 2013

UMA REFLEXÃO SOBRE VELHICE DESCARTÁVEL E A SUPERVALORIZAÇÃO DA JUVENTUDE NA MODERNIDADE.

A propaganda começa com uma Senhor falando :

- 140 anos trabalhando aqui e ainda fico abismado como a cerveja é gostosa.

O jovem entra na conversa e diz:

- Falando em gostosa, vocês não querem fazer um comercial com mulher gostosa né?

O Senhor que havia falado que há 140 anos trabalhava na cervejaria  responde:

- Não!

O jovem então pergunta:

- O que a gente faz então para deixar a nossa propaganda mais jovem?

Outro Senhor pergunta:

 - De novo?

O primeiro que iniciou o diálogo diz:

- Você pode fazer o que quiser só não mexe com a cerveja!

O outro Senhor levanta o dedo e diz:

- E nem com a Dona Yolanda!

Aponta com a cabeça para o lado em direção uma Senhora que está sentado do outro lado, dá uma pausa e com um sorriso diz:

“Tô pegando”!

Há dois conceitos que retratam o fenômeno que vivemos na modernidade em relação a juventude e velhice:

O 1° conceito: 


A enfase inicial que ressalta o valor da tradição, o tempo como algo que pode preservar a qualidade.


Um século e meio, fala da “velhice”  uma valoração da  tradição  como uma necessidade psicológica de duração, de segurança.


Segundo  Giddens (1990, p.107): 


“A tradição contribui de maneira básica para a segurança ontológica na medida em que mantém a confiança na continuidade do passado, do presente e futuro, e vincula esta confiança a práticas rotinizadas”.


Há uma defesa da tradição, da  preservação dos costumes no tempo, onde separa beber desvinculado a mulheres seminuas, como é feito normalmente nas propagandas.


A cerveja não foi afetada pelas mudanças da modernidade, a tradição resistiu ao tempo.


O 2° conceito:


 A propaganda  faz uma apologia a preservação da tradição, ao mesmo tempo em que a contradiz.


Isso acontece quando outro senhor dá continuidade, mostrando que  o tempo preservou o valor ao dizer:


- E nem com a  Dona Yolanda!


A Dona Yolanda e a Cerveja são colocadas como sinônimo de valor imutável, não afetada pela modernidade, a tradição que resiste ao tempo.


Mas quando o Senhor faz uma pausa e diz:

- Tô pegando!

Ele mostra o processo de desconstrução da tradição frente a modernidade,  ao utilizar um termo que mostra as relações frágeis.


Esse é o fenômeno da  “modernidade liquida”, onde as relações são fluidas e pouco duráveis.


Na concepção de Baumann (2003):


“Os fluídos movem-se facilmente, quer dizer: simplesmente “fluem”, “escorrem entre os dedos”, “transbordam”, “vazam”, “preenchem vazios com leveza e fluidez”. 


Desvalorização da velhice e uma  tentativa de eternizar a juventude.


A juventude é supervalorizada e a velhice é sinônimo de invalidez e objeto descartável.


Vivemos num mundo em que as pessoas têm medo envelhecer, por isso o Senhor que valorizou a “Dona Yolanda” que também tinha a sua faixa etária, a desvalorizou quando disse:


- “Estou pegando”!


Estar “pegando alguém", não é algo da tradição  é fenômeno  da modernidade.


Essa é a desvalorização do durável e a supervalorização do descartável.


"Pegar" conota objeto e não pessoas.


Nesse drama existencial é que surge uma das industrias que mais faturam no mundo capitalista.


A industria de cosméticos para ocultar os traços da velhice.

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Referências.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Tradução: Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.

GIDDENS, Anthony.  As consequências da modernidade.  Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro. RJ. 1997.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

PAULO FREIRE: UMA REFLEXÃO SOBRE OS DESAFIOS ATUAIS DA PRÁTICA 
DOCENTE*

A pedagogia do oprimido na concepção de Paulo Freire tem como premissa básica: “o ser humano tem capacidade e potencialidade para ser o protagonista da sua história”.

Contudo, é necessário, que haja conscientização de que uma transformação realmente eficiente não vem de fora, como algo pré-dado, mas sim, uma consciência com base na reflexão através de todas as experiências de vida adquirida.

A partir do axioma da valorização da pessoa como indivíduo com potencial para a liberdade, a pedagogia do oprimido contesta a visão bancária de ensino, que tem seus postulados na historiografia positivista, de hierarquia.

Nessa visão, o ensino é visto como gradativo, pode ser classificado o grau de conhecimento de acordo com os cursos efetuados.

Nessa óptica o professor (mestre) detém o conhecimento, e o aluno é o receptáculo desses “conhecimentos intelectuais”, metafísico, desconectado da história.

Essa visão remonta ao conceito de “conhecer” da filosofia grega onde o mundo precisava ser interpretado, e o sujeito se ajusta a ele, em oposição à historiografia marxista, o mundo precisa ser transformado.

Não há passividade entre o sujeito e o objeto do estudo, ambos interagem numa dialética, e o conhecimento está sempre em movimento, em construção.

A pedagogia do oprimido apresenta uma visão diametralmente oposta ao sistema vigente da educação classificada por Paulo Freire com “bancária”, onde a violência dos opressores leva a desumanização dos oprimidos, a uma vocação do “ser menos” pelo fato de distorcer o significado de “ser mais”.

Nas palavras de Freire (1987, p.33):

a narração de conteúdos que por isso mesmo tendem a petrificar ou fazer-se algo quase morto, sejam valores ou dimensões concretas da realidade, narração ou dissertação que implica num sujeito – o narrador e em objetos pacientes, ouvintes-os educandos.

Paulo Freire adota sem duvida em sua pedagogia do oprimido a historiografia Marxista pelo fato de que para ele o “conhecimento” não é algo que vem pronto, não é patente do educador, mas, um movimento, um diálogo de experiências de quem transmite, e quem recebe a transmissão, de forma que não há passividade por parte de quem “aprende”.

Denunciando a falha e a precariedade do sistema educacional, Paulo Freire fala da finalidade desse sistema de ensino. 

Preservar a situação de que são beneficiários e que lhes possibilita a manutenção de sua falsa generosidade (...)  Por isto mesmo é que reagem, até instintivamente, contra qualquer tentativa de uma educação estimulante do pensar autêntico, que não se deixa emaranhar pelas voes parciais da realidade, buscando sempre os nexos que prendem um ponto a outro, ou um problema a outra. (FREIRE, 1987, p. 34).

Paulo Freire instiga o leitor a pensar numa alternativa para a educação, aonde ela venha proporcionar ao estudante uma oportunidade de libertação, e isso seria a melhor forma de humanizar as pessoas.

Sobre as condições do estudante no sistema bancário,

a sua domesticação é a da realidade a qual se lhes fala como algo estático pode desapertá-los como contradição de si mesmos e da realidade. De si mesmos e da realidade, de si mesmos ao se descobrirem, por experiência existencial em um modo de ser inconciliável com a sua vocação de humanizar-se. Da realidade, ao perceberem - na em suas realizações com ela como devenir constante. (FREIRE, 1987, p. 35).

Os oprimidos são destituídos do seu direito a autonomia, enquanto os opressores sempre lutam para legitimar e perpetuar o seu “direito” de opressão.

Opressores e oprimidos atuam em lados opostos, formando dois pólos onde os opressores lucram com a desumanização dos mais pobres, visto carregarem em si sentimentos egoístas de individualismo e desigualdade.

Nesse caso a solidariedade que muitas vezes são manifestadas pelos detentores são ilusórias e interesseiras, uma forma de manter a opressão mascaradas por atos de solidariedade.

O grande desafio está no fato de que o oprimido é o hospedeiro do opressor, a sociedade juntamente com a educação tradicional inserem modelos dentro das pessoas, o que acontece segundo Freire (1987, p.34):

ao receberem o mundo que neles entra, já são seres passivos, cabe a educação passivá-los mais ainda e adaptá-los ao mundo. Quanto mais adaptados para a concepção “bancária”, tanto mais “educados” , porque adequados ao mundo.

É preciso dar ênfase ao fato de que os homens são pessoas e como pessoas são livres e eximir-se de fazer com que essa afirmação seja uma realidade é uma farsa.

Pedagogia do oprimido leva a proposta de uma autonomia, uma reflexão que possa fazer uso da critica, assim possibilitará o homem ser o protagonista da sua história, é preciso uma interação dialógica e igualitária entre as pessoas para haver possibilidade de criar-se uma consciência coletiva na construção do novo.

Mas para isso é preciso desconstruir as estruturas fundamentada no modelo tradicional. É preciso uma educação oposta a qual o autor denomina de “problematizadora” em oposição a “bancária”.

 Nesse sentido a educação problematizadora, já não é o ato de depositar, ou de narrar ou de transferir “conhecimentos” e valores aos educandos, meros pacientes, à maneira da educação bancária, mas um ato cognoscente como situação gnosiológica, em que o objeto cognoscível em lugar do termino do ato cognoscente de um sujeito é o mediatizador de sujeitos cognoscentes.

Educador de um lado, educandos, de outro, a educação problematizadora coloca desde logo a existência da superação da contradição educador educandos.

Sem esta não é possível à relação dialógica indispensável à cognoscibilidade dos sujeitos cognoscentes, em torno do mesmo objeto “cognoscível”. (FREIRE, 1987, p.39).

Um dos fatores a ser revisto é o conteúdo programático da educação, como fruto de um diálogo, de uma inquietação acerca do conteúdo. Não como uma imposição, mas, uma doação.

Segundo o autor, não é um conjunto de informes a ser depositado nos educandos, mas uma devolução sistematizada e organizada de acordo com a visão de mundo e cultura que tenha o povo para que não se torne uma “invasão cultural” e isso ocorre mesmo sem que haja intenção.

O conteúdo programático é um dos maiores obstáculos, pois, muitas vezes não abordam a situação presente e existencial do homem, é preciso que o conteúdo seja concreto, que venha refletir as aspirações do povo, que possa desafiar e exigir uma resposta não só na dimensão intelectual, mas de ação.

Na pratica docente é preciso acima de tudo mudar o paradigma do educando como o que detém o conhecimento e o estudante como o que apenas é um receptáculo passivo.

Há uma necessidade de compreender o ser humano como um ser complexo, que seu aprendizado deve ser interativo, participativo.

Considerar que para o educando ter a capacidade de assimilar e levar para a dimensão prática os conteúdos é preciso levar em conta a sua história, sua complexidade, como anseios, desejos, e seu contexto na sociedade.

O Educador precisa assumir o seu papel como facilitador do processo de libertação do educando, levando a uma reflexão critica dos pressupostos já internalizados nele.

O educando precisa ser confrontado com o seu papel na história, ser despertado a assumir a posição de protagonista, ter uma participação critica, como forma de mudar a sua realidade.

Pensar só é certo quando o é feito criticamente, o ato de pensar não pode estar desconectado da ação.

Teoria e práxis são indissociáveis, de forma que a práxis legitima a veracidade da teoria, a desconexão transforma o ensino em metafísico, anacrônico, subjetivo e em última análise paralisante e legitimador do status quo predominante.

O educador na atualidade tem o desafio de ser democrático, no sentido que reconhecer os educandos como sujeitos, defender sua liberdade, e assim atuar como mediador oferecendo ao educando a oportunidade de ter uma consciência critica e transformadora.
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REFERÊNCIAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1987.

*Curso de Ciências Sociais. Universidade Metodista de São Paulo - UMESP

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A  EDUCAÇÃO NO CONTEXTO NEOLIBERAL: UMA REFLEXÃO SOBRE A MERITOCRACIA NO ENSINO PÚBLICO*


O gerenciamento por metas versus objetivos defendidos pela secretaria de educação Maria Helena Guimarães de Castro, além de não melhorar a educação, certamente agravará o sistema de ensino. Isso porque nessa perspectiva adotada pela ideologia neoliberal, coloca como causa a as praticas pedagógicas e os professores.

Jogam a culpa pela situação vigente na falta de esforço individual e pedagógica dos professores e a falta de interesse dos alunos.

Esse modelo transfere a responsabilidade do estado como agente responsável por uma  política de melhoria na educação,  para a responsabilidade individual do educador e a meritocracia do aluno no seu desempenho ignorando as políticas governamentais como produtoras da exclusão através de suas políticas na educação.

A proposta da secretária da educação em promover uma “competição meritória” entre professores para estimular o melhor desenvolvimento no ensino, é arbitrária, isso porque ignora as condições desfavoráveis enfrentadas pelos professores em toda a estrutura do ensino publico, essa transferência de responsabilidade é injusta, pois, ignora as condições de cada um na sua individualidade.

Alunos e professores nesse caso serão penalizados, pois irão sofrer concorrência desleal, desde a sua formação não são oferecidas condições iguais. Esse modelo neoliberal que tenta levar a escola à dimensão de mercado promovendo a competição meritória  é descrita da seguinte forma:

Em suma, os governos neoliberais deixaram (e estão deixando) nossos países muito mais pobres, mais excludentes, mais desiguais. Incrementaram (e estão incrementando) a discriminação social, racial e sexual, reproduzindo os privilégios das minorias. Exacerbaram (e estão exacerbando) o individualismo e a competição selvagem, quebrando assim os laços de solidariedade coletiva e intensificando um processo antidemocrático de seleção "natural" onde os "melhores"" triunfam e os piores perdem. (Pablo Gentili).

A nossa sociedade é dicotomizada, e os considerados “melhores”  estão de certa forma predestinados, esses são as classes privilegiadas, as que detêm o poder e os “piores”, são as classes subjugadas num contexto de pobreza que na maioria das vezes lhes é negado às mínimas condições de viver com dignidade.

Na visão neoliberal apresentada pela secretária da educação do estado de São Paulo, “ao ignorar méritos e deméritos, ela deixa de jogar luz sobre os mais talentosos e esforçados e, com isso, contribui para a acomodação de uma massa de profissionais numa zona de mediocridade. Por isso, demos um passo na direção oposta”. 

Esse axioma tem postulados no “mérito individual” do sujeito na sociedade como se somente uma pessoa pudesse reverter o processo que tem variantes sociais, é uma visão simplista e reducionista, achar que com o modelo de competição, estimulando talentos individuais irá solucionar um problema de estrutura.

Maria Helena usa como  base para afirmar a sua tese sobre o bônus para o professor que mais se destacar diante a metodologia de prêmios e fala de como premiar os profissionais mais presentes ao mesmo tempo excluir os mais faltosos, o que é uma boa proposta, contudo, não se deve esquecer que as condições básicas de Nova York desde a escola primária, e o sistema educacional americano oferece condições para que esse professor que tenha interesse em melhorar realmente consiga alcançar esse estágio proposto pelo sistema educacional.

A secretária deveria fazer uma comparação quantitativa de investimento em Nova York com o estado de São Paulo, daí verá que as realidades são diferentes, principalmente a prioridade ao setor educacional adotada pelo referido estado americano em comparação com o estado mais rico do país.  

“O Brasil ainda está pouco habituado a encarar as políticas para a educação voltada pra os alunos”. (Maria Helena).

Essa afirmação é absoluta, contudo, no contexto em que a secretária faz, ela particulariza, como se a realidade dessa afirmação, tivesse sua causa somente nos  professores.

Os alunos merecem uma boa aula, isso é indiscutível,  devem-se premiar os professores  mais ativos no ensino, os que menos faltam isso podem ser feito; contudo é reducionista deixar nas entrelinhas que o ambiente e as péssimas condições das instalações e a falta de do mínimo necessário para que isso ocorra, não influencia ou até mesmo determina as precariedades do ensino.

O modelo educacional proposto por Maria Helena tem sua configuração na perspectiva neoliberal, com sua lógica de mercado, de acordo com Pablo Gentili:

"A lógica competitiva promovida por um sistema de prêmios e castigos com base em tais critérios meritocráticos cria as condições culturais que facilitam uma profunda mudança institucional voltada para a Configuração de um verdadeiro mercado educacional".

Superar a crise implica, então, o desafio de traçar as estratégias mais eficientes a partir das quais é possível construir tal mercado.

As reais intenções do sistema neoliberal é ter um “controle de qualidade” sobre a qualidade de “serviços” educacionais, para que assim possam levar o sistema a se conectar com as demandas do mercado.

Isso pode ser visto pelo fato de que promove a exclusão dos “menos” capacitados, pois a forma de “avaliar” tem sua base na historiografia positivista, no seu tecnicismo, entende que a capacidade de uma pessoa pode ser “medida” de acordo com uma ciência exata, com isso, tenta  promover a individualidade, contudo, sua metodologia contraditoriamente é uma tentativa de “igualar” o ser humano, ao tentar o avaliar, através de um sistema promotor de uma “igualdade” no tocante a capacitação dos professores.

Essa teoria contraria  a própria tese de que é necessário esforço para que todos alcancem o mesmo nível de e sejam premiados.

A crise no sistema educacional não é gerencial, mas da democratização, que produz a exclusão, não será o incentivo a “livre concorrência” o fator que irá solucionar o problema estrutural, que precisa de maior flexibilidade para  produzir o mínimo de equidade. Equidade essa defendida pela política neoliberal como efeito do sistema educacional ser ajustado as demandas do mercado de trabalho,  quando o inverso é que pode produzir a chamada equidade: o sistema educacional promover a empregabilidade.

O investimento com verbas públicas seria  eficiente se investido na estrutura  básica de saúde, alimentação, saneamento básico, para assim dar ao estudante condições para se desenvolver na escola. Colocar a educação vinculada ao sistema de competição é um equivoco pelo fato de ignorar que a exclusão social é justamente produto da competição predatória imposta pelo mercado, que na ênfase de promover a individualidade, produz segregação, separação, promove violência por negar os direitos mínimos aos mais pobres e excluídos do sistema.

Esse processo tem uma função ideológica fundamental para a reprodução das relações sociais, baseada no mérito pessoal, demonstrando a todos os setores que existe igualdade de condições entre professores.

A ideologia do método da secretária da educação tem nas entrelinhas a perpetuação da reprodução nas relações sociais, o mérito pessoal deixa explicito a pseudo imagem de que há igualdade de condições entre os professores, sendo assim, “confere aos privilegiados o privilégio supremo de não aparecer como privilegiados”. (Bourdieu 1982, p. 218).

Transferindo a responsabilidade para aqueles que segundo a lei da “punição e castigo” são os deserdados, irresponsáveis e culpados pelo desempenho na sua função, penalizando-o pela “ausência de esforço” na competição do mercado educacional.

A solução deveria partir na busca de políticas que promovam maior inclusão, diminuírem a desigualdade,  e não promover uma luta desigual, excludente e predatória.

*Trabalho realizado no Curso de Ciências Sociais pela Universidade Metodista de São Paulo - UMESP 
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Referências
GENTILI, Pablo. Neoliberalismo e educação: manual do usuário. Disponível em: http://www.cefetsp.br/edu/eso/globalizacao/manualusuario.html

Entrevista com a Secretária de Educação do Estado de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, publicada na Revista Veja, disponível em:

BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean Claude. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. 2ªed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Agostinho-Calvino & Thomas Hobbes – Armínio & John Locke: Uma reflexão sobre Deus/Estado Homem/Liberdade.

A antropologia teológica tem os mesmos pressupostos da sociologia na relação: Deus/Estado Homem/Liberdade.

No Agostinianismo-Calvinismo, a liberdade do homem está em: "escolher o que Deus no eterno passado já escolheu para o homem escolher".

Nessa forma de relação entre Deus e o homem, a liberdade está em:

Fazer o que já está determinado, ao homem, só resta fazer o que Deus quer que o homem faça.

Na antropologia Calvinista-Agostiniana, o homem é totalmente depravado.

Na antropologia de Thomas Hobbes o homem totalmente mal e incapaz de manter o mínimo de ordem na convivência social.

Na teologia Agostiniana-Calvinista, e na concepção Hobbesiana, o homem necessita:

Renunciar sua liberdade para ser governado por um poder externo.

Deus na teologia, o Estado na política.

Na teologia Arminiana, e na sociologia de John Locke, a antropologia é menos pessimista.

Jacobus Armínius defendia que o homem é mal, mas a corrupção sofrida após a queda (pecado) não afetou totalmente a sua natureza, dessa forma o homem não perdeu a capacidade para responder à mensagem do evangelho e ser salvo.

Nessa óptica a semelhança de John Locke, o homem tem o “livre arbítrio”, ou seja, é parcialmente depravado ou mal.

Armínio defende que através do livre arbítrio o homem pode aceitar a vida de Deus em Cristo, trabalhar de forma sinérgica (juntos) e o capacitar a responder aos apelos do Evangelho.

John Locke e Jacobus Arminius têm em comum na antropologia que o homem não é totalmente mal.

O poder externo na teologia que vai ajudar o homem é Deus.

Na teoria sociológica-política de John Locke é o Estado, só que esse (estado) servirá apenas como “regulador” das relações do homem na sociedade.

Armínio & Locke, Agostinho-Calvino & Thomas Hobbes, tem em comum a seguinte tese implícita:

“O homem precisa de um poder externo para regular a vida do homem”.

Agostinho-Calvino defende o principio do Totalitarismo Teocrático, nessa teoria teológica, Deus deve ter o poder absoluto.

O homem só tem liberdade para fazer a “vontade do Rei-governo”.

Thomas Hobbes defende o Totalitarismo do Estado, o poder absoluto do governo sobre o homem.

Na teologia Agostiniana-Calvinista os pressupostos são semelhantes ao Estado defendido por Hobbes, ideologia seria: Um governo de esquerda.

Na teologia Arminiana, os pressupostos seria o estado defendido por John Locke, e a forma de governo seria o “Liberalismo”.

O homem tem liberdade, mas é uma “liberdade parcial”, não é totalmente mal, mas não é bom o suficiente para viver livre de um poder externo.

Deus e o Estado são poderes reguladores da vida humana.

Total ou Parcial?

Na teologia e na sociologia no século XX surge uma nova forma de governo:

Neoliberalismo...

Nessa nova forma de relação tanto Deus quanto o Estado não intervém.

O homem é totalmente “livre”, Deus de Sí mesmo.

Dois poderes externos...

Sem a intervenção de Deus, na teologia, o homem está sob o poder do Diabo...

Sem a intervenção do Estado, na sociologia, o homem está sob o poder do Mercado...

Salve-se quem puder...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

MÍDIA: INSTRUMENTO DE PODER, SEDUÇÃO E ALIENAÇÃO 

O tema da mídia brasileira do momento é a visita da blogueira cubana Yoani Sánchez ao Brasil. 

Há uma movimentação da mídia para mostrar o quão maravilhosa é a “democracia” em nosso país. 

Claro que o tão famoso “direito de expressão” é algo maravilhoso, afinal, o nosso país tem menos de três décadas que sai dos domínios do militarismo.

Até Constituição de 1988 as concessões eram de responsabilidade do poder executivo, após 1988, a submissão passou ao Congresso Nacional.

Para se ter uma ideia de como a mídia é manipulada, a verba do governo Dilma com publicidade foi feita da seguinte forma:

- 10 veículos: 70% do dinheiro gasto com publicidade do governo.

- Dos R$161 milhões, 50 milhões direcionados à TV Globo.

- Globo Comunicação e Participações LTDA: 833,8 mil reais.

- Globosat Programadora, 810,3 mil, Rádio Globo 730 mil, Infoglobo, que edita O Globo e o Extra, 927,4 mil, Globo Participações, que cuida das operações na internet, 952,9 mil

- O jornal Valor Econômico, do qual o grupo detém 50%, R$164 mil. Editora Globo: responsável pela revista Época, 479 mil.

Família Marinho detém : 1/3 de toda a verba publicitária do governo federal.

Carta Capital, 23/01/2013
(http://www.cartacapital.com.br/politica/globo-concentra-verba-publicitaria-federal/)

O objetivo da mídia é fazer o telespectador ou leitor, se mover em um mundo que de fato não existe, a imprensa tem o oficio de legitimar as estratégias de mercado, construir consensos e doutrinar as percepções, ludibriando a realidade com noticiários parciais tendo como efeito a produção de uma epidemia de “amnésia coletiva”!

A mídia distorce, valoriza a versão em detrimento dos fatos, a opinião ganha primazia sobre a informação além de substituir a realidade pela interpretação tendenciosa sobre a realidade.

Essa forma maquiavélica faz com que o cidadão tenha uma percepção distorcida do mundo, ou seja, a opinião sobre a realidade é vista de acordo com a imagem criada pela mídia, a propaganda é a força da distorção, contudo, há momentos que a realidade suplanta a máscara.

O JORNAL A FOLHA DE SÃO PAULO que faz parte de um grupo de domínio da comunicação no Brasil, reprodutora do jornal THE NEW YORK TIMES, editou a seguinte matéria:

“PEDIMOS DESCULPAS PELO ERRO DE SADAN”
(Folha de São Paulo, 17/07/2004, A 14, Mundo).

Sadan possuía uma arma muito terrível: Petróleo.

A mídia reproduzia os noticiários protótipos do cinema Hollywoodiano da eterna luta entre “o bem e o mal” onde o mocinho precisava exterminar a “ameaça” mundial.

A Yoani tem direito de falar, afinal hipoteticamente estamos num pais democrático, mas numa democracia que desde a sua transição foi pacifica, isso porque desde sua base privilegiou a classe que dominadora com conchavos com os grandes latifundiários que sempre detiveram o poder.

Haja vista o PMDB nunca sai do poder, sempre tem os presidentes da Câmara e do Senado!

Mas a pergunta é:

Porque a liderança do PSDB, Aécio, Neves, Álvaro Dias e CIA estão tão interessados em ouvir a Yoani falar?

Seria pelo fato de que são promotores do sistema neoliberal onde já no governo FHC venderam por ninharias estatais para o capital estrangeiro querem desacreditar o socialismo?

Porque a mídia que agora faz questão de emprestar os microfones e as câmeras para a Yoani não emprestaram para os partidos de esquerda que gritaram contra as privatizações do governo FHC?

Uma coisa é certa:

Se algo beneficia os ricos...

Com certeza vai espoliar os pobres...

Essa é a lógica do sistema neoliberal base dos governos do PSDB.
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José Lima de Jesus
Cursando o 3º ano em Ciências Sociais pela Universidade Metodista de São Paulo – UMESP.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Dilma Rouseff e Joaquim Barbosa: Uma reflexão Sociológica na Teoria de Pierre Bourdieu

Bourdieu entende que há uma concorrência no interior de cada campo social de forma dinâmica, que tem sua origem nos agentes sociais (pessoas) através de estratégias diferentes que visam à transformação ou conservação das estruturas sociais.

O ministro Joaquim Barbosa em sua trajetória de vida confirma a teoria de Bourdieu que não há fatalismo de “classes” ou de “estrutura”.

Embora a desigualdade da distribuição do capital seja a gênese das lutas que produzem um conflito permanente, essas são configuradas na defesa dos grupos dominantes, que querem defender seus privilégios em oposição aos grupos e indivíduos que lutam por poder e reconhecimento, que se situam na hierarquia social na posição de inferioridade.

A forma com que essa luta se realiza são diversas, tais como: “acumulação de capital econômico ou social, cultural e simbólico”.

As lutas são formas de tentar modificar as estruturas dos campos sociais, ao mesmo tempo, uma maneira de alterar as hierarquias manifestadas nas diversas formas, como: “econômica, cultural ou simbólica”.

Mas as hierarquias podem ser alteradas, modificadas, pois a cultura também é um capital.

 O ministro Joaquim Barbosa e a presidenta Dilma Rouseff adquiriram esse capital, quebrando assim o fatalismo da estrutura do “poder dominante”.

Os “processos antecedentes” que são “estruturas estruturantes” produzem e reproduzem o poder simbólico, tem o objetivo de através da luta simbólica quebrar a lógica social da classe dominante.

Essa classe dominante é legitima para os agentes do campo social e considerado por eles como normal.

Dilma e Joaquim Barbosa são exemplos da sociologia de Bourdieu, em que o agente social transforma a “estrutura social”.

A violência simbólica, doce e mascarada, se exerce com a cumplicidade daquele que a sofre, das suas vítimas.

Segundo Bourdieu 1996, p.275, “Essa violência está presente no discurso do mestre, na autoridade do burocrata, na atitude do intelectual (...) constituem uma violência simbólica, pela qual ninguém é verdadeiramente responsável, que oprime e rege as linhas políticas nas democracias contemporâneas.

Dois paradigmas fatalistas quebrados:

O negro escravizado na colonização do País, marginalizado e vítima do preconceito na história sempre as margens da sociedade.

A mulher vitima da violência de gênero, na cultura religiosa judaico-cristã, a responsável pela inserção do “pecado” no mundo.

Agora representa o poder legitimo, quebrando toda a lógica da “estrutura  estruturante” estratificada pelos “processos antecedentes”.

Na sociologia de Bourdieu não há determinismo, predestinação ou destino, o agente social transforma as estruturas sociais.
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BIBLIOGRAFIA
BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo – SP Perspectiva, 7ª Ed., 2011.

________________. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 14ª ed., 2010.

CORTES, Verónica. Pierre Bourdieu, notas acerca de uma sociologia dos campos. In: Guia de Estudos Relações mundializadas, neoliberalismo e sociabilidade humana. São Bernardo do Campo: Editora da Universidade Metodista de São Paulo, 2009.

THIRY-CHERQUES, Hermano Roberto. Pierre Bourdieu: a teoria na prática. Revista de Administração Pública Rio de Janeiro 40(1): 27-55, Jan./Fev. 2006.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

RELIGIÃO, FÉ E NEUROSE


A teologia ortodoxa, na sistematização teológica define que a "Verdade" pertence a uma confissão de Fé. Mas e a verdade é a PESSOA de CRISTO (Jo 14.6) logo, não há necessidade de "DOGMAS", pois cristo não foi dogmático, cristo estabeleceu uma PRÁXIS de VIDA.

A adoração em ESPIRITO E EM VERDADE (Jo 4.24), não tem a ver com CONFISSÃO DE FÉ, mas com a mudança de conceitos sobre a existência, a mulher achava que “Ser” Samaritana e “Ser” Judeu, era fatalismo do destino. (Jo 4.9).

Jesus mostrou que Judeus e samaritanos, não “São” estão “Sendo”. Na vida, nada é “fixo”, e Ele como judeu valoriza o Samaritano que não é, mas Sendo. O verbo “Ser” é estático, o gerúndio “Sendo” é mutável.

A adoração em Espírito e em verdade tem a ver com coragem de enfrentar os traumas e desafios da vida esse era o conteúdo do diálogo de Jesus com a mulher samaritana. Quando Jesus fala da água que tinha para oferecer, a mulher pede: “dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la”. (Jo 4.15).

A pessoa que é cristã, mas é dogmática, firmada em doutrinas, quer resolver tudo de forma fácil, quer saciar o desejo da existência com métodos mágicos, ou, com penitências que mereçam o favor divino.

Jesus quer oferecer capacidade para a pessoa enfrentar a vida com todos os traumas e desamparo que ela oferece. Jesus vai a cerne do diálogo: “Vai, chama o teu marido, e vem cá”. (Jo 4.16).

A mulher responde que não tinha marido (Jo 4.17), mas não fala que já tivera cinco, escondia os fracassos de relacionamento, mas estava bem informada sobre teologia histórica e dos conflitos étnicos da sua nação (Jo 4.9), e da tradição judaica (Jo 4.12).

Ela não sabia lidar com as frustrações dos seus relacionamentos. Jesus confronta sua situação e fala de seus fracassos do desamparo existencial que ela vivia, pois: “tivera cinco maridos e o que tinha agora não era d’ela”. (Jo 4.18,19).

A mulher vivia com o sentimento de que não possuía nada, nada lhe pertencia, era insegura, complexada, uma imagem negativa de si mesma, ventilava na religião toda a sua sede existencial, todo o seu desejo de pertencer a alguém e de ter alguém para chamar de “seu”.

Na vida ninguém é de ninguém, mas para se viver é preciso ter o sentimento de que pertence a alguém, e de que tem alguém para se pertencido.

A adoração em Espírito e em verdade não é o levantar as mãos no templo, nem estar no templo certo, tão pouco ter a doutrina correta, mas, tem a ver com encarar a verdade, a sua verdade, a verdade que temos medo, confrontar as nossas dores, rever a nossa maneira de viver.

Jesus pede para a mulher chamar o seu marido: “Vai, chama o teu marido, e vem cá”. (Jo 4.16), a mulher responde que não tinha marido (Jo 4.17). A mulher foge do assunto doloroso e volta-se para a discussão teológica: “Vejo que tu és profeta” (Jo 4.19).  O religioso extremo é neurótico, constrói uma “vida paralela”, foge da realidade da vida, para uma vida imaginária, por não suportar a realidade.

Que conexão tinha os relacionamentos frustrados d’ela, com o fato de reconhecer que Jesus era profeta? Para não enfrentar assuntos que lhe causaram dores e sofrimentos, ela usa a religião como fuga, sai da dimensão física (vida) para a metafísica (fé).

A mulher introduz um novo tema que não tinha relação com o que Jesus havia falado anteriormente. Jesus estava falando de “relacionamentos” a mulher foge para fala de “local de adoração” dos patriarcas (Jo 4.20).

Jesus chama a mulher para encarar a vida, enfrentar seus relacionamentos frustrados. Jesus queria lhe ensinar a mulher, se valorizar, como alguém digna de ser respeitada, apesar do preconceito por ter nascido em Samaria, e pela rejeição por não viver o padrão imposto pela sociedade.

Jesus fala que não existe dogmas certos, locais certos (Jo 4.21-23), depois conclui: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.
(Jo 4.24).

Qual é a “verdade” na adoração em Espírito? A verdade de que em Cristo, não deve existir formulas mágicas para resolver os problemas da vida: “dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la”. (Jo 4.15).

Problemas de relacionamentos não se resolve com campanhas de 7 dias, correntes, Jejum de Daniel etc... Não se deve usar doutrinas para encobrir os traumas, nem o nome de Jesus  para fugir da maravilhosa vida que Ele veio oferecer.