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segunda-feira, 21 de maio de 2012

AMÉRICA LATINA: TENSÕES, ENCONTRO-DESENCONTRO CULTURAL

A Espanha no século XV havia expulsado os mouros da península ibérica e se encontrava num período relativamente de paz, sem guerras, por isso passou a buscar realizar o processo de expansão comercial.

Os espanhóis ao chegarem à América tiveram uma visão etnocêntrica e olhou as sociedades nativas como inferiores à sua, sem qualquer humanidade e assim passíveis de serem escravizadas.

Essa visão é descrita da seguinte forma nas palavras do frei dominicano Tomaz Ortiz dirigidas ao Conselho das Índias (in Todorov, 1991, p. 148):

“Comem carne humana na terra firme. São sodomitas mais do qualquer outra nação. Não há justiça entre eles. Andam completamente nus. Não respeitam o amor nem a virgindade; são inconstantes. Não fazem idéia do que seja a providência. São muito ingratos e amantes das novidades (...) São brutais. Não há entre eles nenhuma obediência. São incapazes de receber lições. Os castigos de nada adiantam (...) Quando se lhes ensinam os mistérios da religião, dizem que essas coisas convêm aos castelhanos, mas não valem nada para eles e que não querem mudar seus costumes. (...) Os índios são mais idiotas do que os asnos e não querem fazer esforço no que quer que seja.”

A partir deste grande “encontro” cultural, houve dois efeitos:

(1) O estranhamento, por parte de ambas as culturas, que viam a outra como algo extraordinário e incompreensível. Os espanhóis encararam a cultura indígena como algo bárbaro e não-humano, enquanto os nativos confundem os espanhóis com as lendas que contam sobre os fins dos tempos ou de deuses da destruição que desceriam à terra. Desse primeiro contato se seguiu o domínio espanhol, com muitas mortes de nativos, seja por batalhas, seja por doenças.

(2) O tempo original do mundo nativo desapareceu para sempre, seus ídolos foram destruídos e os tesouros esquecidos, soterrados sob os escombros de igrejas cristãs e palácios coloniais. Todas as sociedades indígenas das Américas eram civilizações jovens e criativas, a conquista espanhola deteve este crescimento e as deixou com um legado de tristeza.

América Latina no século XIX, após as independências e século XX.

Aníbal Quijano aborda a discussão sobre a identidade latino-americana fala sobre a relação entre colonialismo e modernidade. Usando o personagem de Don Quixote para falar dos momentos que antecede a conquista da América com a expulsão dos Arabes e Judeus. O autor mostra que desde o inicio há uma relação de poder no projeto colonial que é a imposição da cultura dominante e um sistema de exploração como tributação exarcebada mantida pela violência mantida pelos colonizadores.

A ideia de raça foi usada para legitimar toda a produção histórica da América latina, a partir daí a identidade latino americana passou a ser um território de conflitos que foi se aprofundando até criar uma cisão entre o europeu e o não-europeu. O continente latino americano continua prisioneiro da colonização, isso ocorre também pelo fato de não querer se arriscar a aproveitar a configuração do novo mundo como efeito da crise global do periodo da colonização até a modernidade.

Eduardo Galeano no livro Veias abertas da américa Latina faz um diagnóstico da situação da América Latina:

“É a América Latina, a região das veias abertas. Desde o descobrimento até nossos dias, tudo se transformou em capital europeu ou, mais tarde, norte-americano, e como tal tem-se acumulado e se acumula até hoje nos distantes centros de poder. Tudo: a terra, seus frutos e suas profundezas, ricas em minerais, os homens e sua capacidade de trabalho e de consumo, os recursos naturais e os recursos humanos. O modo de produção e a estrutura de classes de cada lugar têm sido sucessivamente determinados, de fora, por sua incorporação à engrenagem universal do capitalismo. (p.5).

No século XXI é preciso entender os desafios do continente, Otávio Ianni tenta compreender recuperando as questões presentes nas raizes da cultura latino America ao longo dos cinco séculos de sua história. Nesse caminho, o autor faz uma sintese passando pelas diferentes dicussões sobre a identidade latino-americana desde sua genese no periodo colonial, passando pelo imperialismom até o momento da globalização na atualidade.
Otavio Ianni ressalta que o continente Latino americano se configura numa realidade geo-histórica, politico-economica e socio-cultural complexa, marcada pela heterogenidade e paradoxal, ao mesmo tempo em que recebeu inumeras denominaçções para ele ainda subsiste a impressão de que o pensamento em suas diferentes modalidades não aprende o que realmente está ocorrendo, sobre os dilemas cruciais da América latina.

Segundo o autor a América latina mais parece um laboratório, visto como modo de produção e processo civilizatório; sempre em nome da “evolução”, “progresso”, “desenvolvimento”, “crescimento”, “emergência”, “racionalização”, “modernização”, “europeização”, “americanização”.

A metafora do espelho

A figura do espelho é uma metafora usada para mostrar a posição do latino americano frente aos paises colonizadores, a visão que o povo tem de si mesmo que é vista como “reflexo” no espelho, não tem uma criação própria, uma identidade criada a partir das reflexões com a sua realidade, somente consegue ver-se no reflexo do espelho dos outros, ibéricos, franceses, ingleses, norte-americanos.

A metáfora “espelho de Próspero” de José Enrique Rodo no início do século 20 faz uma alusão à “Próspero, conquistador e colonizador, europeu ou norte-americano, no contraponto com Caliban, transfiguração de canibal, nativo, conquistado, colonizado”.

Na literatura há reflexo como no livro “A Guerra do Fim do Mundo” de Mário Vargas Llosa, que escreve na perspectiva do fazendeiro, uma abordagem anacrônica e abstrata, alheia ao universo social humano. O livro “Os sertões” de Euclides da cunha, em contraposição é escrito na perspectiva dos que vivem e sonham com uma utopia um mundo com uma realidade que gostariam de viver.

Visão trágica da vida, da sociedade e da história

Segundo Aníbal Pinto e Osvaldo Sunkel 1966, pp. 107-20:

“Desde os tempos do colonialismo, atravessando o imperialismo e entrando pelo globalismo, são muitos os que se dedicam às sombras do poder, explicando, racionalizando, ideologizando, ou seja, contribuindo para que se modifiquem algumas diretrizes e práticas, de modo que nada se transforme. São figurações do arielismo, trabalhando sempre no espelho do europeísmo ou do americanismo, esquecendo ou menosprezando as condições e as potencialidades que se criam e recriam em cada uma e todas as sociedades nacionais latino-americanas”.

Há na América latina e caribe um sentimento de inquietação, incerteza e ilusão, na observação de Ianni:

“De vez em quando, no cotidiano deindivíduos e coletividades, irrompe a aflição, algo imponderável, inquietante. Quando tudo parece caminhar normal, ainda que precariamente, de repente abala-se, desaba, deslocandolugares, raízes, ilusões”. Para Ianni isso é mais ou menos periódico, como se acontecessem num movimento ciclico, as pessoas e ideias parecem mover-se deslocando, soltando as raizes e uma sensação de ser atingido por um terremoto.

Isso pode ser visto nas produções cientificas, intelectuais e artísticas que revelam esse estado de espirito e inquietação produzida pela incerteza:  “Algo estranho e inquietante, impregnando relações e modos de ser, a realidade e o imaginário de uns e outros, em diferentes nações, no continente, ilhas e arquipélagos”.

Essse sentimento da vida individual e coletiva tem sido ventilado por pensadores e artistas de destaque em seus respectivos paises da américa latina, e há tendências que evidenciam essas inquietações de três formas:

(1) A busca por alternativas, como uma notavel mobilização dos latinos americanos e caribenhos que se manifestam ativos e até mesmo combativos contra o anti-globalismo.

(2) Sobressaem-se tendências comunitaristas como mobilizações que se empenham em recriar as bases socio-culturais, tanto politicas e econômicas quanto ideológicas, além do sentimento nostálgico produzido pelo desejo de um mundo mais transparente, produto de uma mescla entre utopia e nostalgia.

(3) Há uma perceptiva e crescente mobilização no sentido de conscientização para promover uma globalização desde baixo.

À medida que cresce a percepção tanto na América latina como no caribe que as relações e os processos da globalização são responsaveis pela dominação e apropriação, há uma consciência cada vez mais critica e desejo de mudança em transformar as condições politico-economica, socioculturais e morais instituidas na história pela ideologia neoliberal.

Há uma fecundação de um neo-socialismo com suas raizes e perspectivas metodologicas da historiografia marxista.

Exemplo de um produto cultural que tenha estas visões

Um exemplo cultural da visão pessimista é o fato de que devido a herança colonizadora, o latino americano não se vê como o protagonista da sua história, pode-se perceber essa auto avaliação pelo fato de que a grande realização da maioria dos brasileiros é ter um emprego com carteira assinada, legitimar a sua dependência, a busca por uma “segurança” onde essa significa a subserviência aos seus patrões.

A mentalidade Européia (colonizadora) é justamente oposta, os imigrantes que chegam à América latina buscam ter o seu próprio negócio, nunca ficar subjugado ao domino de outro, como é o caso do latino americano (o brasileiro principalmente) que se contenta em ter uma carteira assinada e trabalhar como empregado tendo estabilidade no emprego. Essa estabilidade é o preço de não correr o risco de ter sua autonomia é o “espírito escravo” que não tem sua liberdade, mas também está isento de usar sua liberdade.

Essa postura é herança da colonização, a aniquilação de se ver com capacidade para assumir a liderança em seu próprio País.

Ser protagonista da sua história, essa é sem dúvida uma forma fossilizada que está na matriz do pensamento de um povo que desde a sua origem conheceu a dominação espoliadora e opressiva. Aprendeu a ser explorado, por isso em sua maioria ainda é conformado com a situação de dominio imposto pelo sistema da globalização.

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*Trabalho parcial como pré-requisito para a graduação em  Ciências Sociais pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).
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Referências Bibliográficas

GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas da América Latina: Tradução de Galeano de Freitas, Rio de Janeiro, Paz e Terra, (estudos latino-americano, v.12) Do original em espanhol: Las venas abiertas da America Latina.
__________________. Programa Sangue Latino, do Canal Brasil, gravado em 2009.

http://www.youtube.com/watch?v=w8rOUoc_xKc
(acesso em 14/02/2012)
PINTO, Anibal. SUNKEL, Osvaldo. “Economistas Latino-Americanos nos Países Desenvolvidos”, Revista Civilização Brasileira, n° 8, Rio de Janeiro, 1966.

QUIJANO, Aníbal. Dom Quixote e os moinhos de vento na América Latina. Rev. Estud.av. vol.19 no.55 São Paulo Sept./Dec. 2005

quarta-feira, 14 de março de 2012

A TOLERÂNCIA QUE DIMINUI A DISTÂNCIA

Como água no deserto
Procurei seu passo incerto
Pra me aproximar
A tempo

O seu código de guerra
E a certeza que te cerca
Me fazem ficar atento

Não me importa a sua crença
Eu quero a diferença
Que me faz te olhar
De frente

Pra falar de tolerância
E acabar com essa distância
Entre nós dois (Música Tolerância –Ana Carolina)

Água no deserto não é apenas desejo, mas necessidade, sobrevivência. A ausência de água como a sentença, como efeito da não vida no deserto. A sua frente caminha alguém que tinha “passo incerto”. Mas o que produz a incerteza nos passos de quem caminha?

Existe um “código de Guerra” para aqueles que em suas certezas tem seus passos incertos e toda “guerra” é produto da “certeza”, é necessário ficar “atento” quando se relaciona com pessoas que tem “certezas” que impedem a aproximação de quem deseja se aproximar, isso porque para essas suas crenças são mais importantes que as pessoas. As certezas colocam as pessoas sempre a “frente” suas crenças se transformam em “cercas”.

Qual caminho deve seguir a pessoa que tenta se aproximar de quem vive a vida como um “código” um sistema de identificação que ajunta os “iguais” ao mesmo tempo em que exclui os diferentes.

“Se pareço ainda estranho, se não sou do seu rebanho e ainda assim te quero”. (A.C). O que é mais nobre: Alguém aceitar o outro pelo fato de ter em comum às mesmas crenças e certezas ou aceitar o diferente, não deixar com que as diferenças façam à diferença? Afinal o que aprendemos com os “iguais”? Não são os diferentes que podem nos acrescentar o que não temos?

Que nobreza há no convívio dos que pensam iguais? Que virtude pode ser desenvolvida se não houver convívio entre os que não são do mesmo “rebanho”?

A crença não deve ganhar proeminência sobre a diferença. A “diferença” torna o outro um espelho, a única forma de nos olharmos “de frente” está justamente nas diferenças. Os que pode fazer com que as pessoas que vivem cercadas de certezas deixem de se relacionar através seus códigos de guerra?

A resposta está para haver diálogo com o diferente, para que haja “fala” é necessário “tolerância” essa é a única forma de acabar com a “distância” trazer o outro para ser o próximo. Os códigos de guerras produzidos pelas certezas, excluem os diferentes que agregam somente os que “pensam iguais”, são produto de ajuntamento do mesmo “rebanho”.

“È que o amor é soberano, e supera todo engano, sem jamais perder o elo" (Música: Ana Carolina).

A grandeza está em quem reconhece sua “estranheza”, sabe que não pertence ao “rebanho”, contudo se esforça para que o “amor soberano” venha superar todo “engano” produto dos “códigos e certezas”. O amor é a única verdade que faz com que não seja perdido o elo... Elo que mantém unidade nas diferenças através da tolerância...

quinta-feira, 8 de março de 2012

QUEM É MESMO O FARISEU?

A interpretação do sermão do monte em sua grande maioria é que os bem aventurados são os que se esforçam para viver a vida naquele modelo descrito por Cristo!

Mas quem disse que Jesus falou para alguém viver aquele modelo? Ele disse que bem aventurados SÃO não os QUE FAZEM não é uma disposição ATIVA, mas PASSIVA!


Quase todos são unânimes que ninguém consegue viver na íntegra o modelo das bem aventuranças expostas no sermão... Mas mesmo assim admitem estar no reino!

Ora, como assim? Então temos que rever a leitura! Veja que a explicação está no contexto onde as maiorias das bíblias fizeram as divisões em MATEUS CAP 5 vs 1, contudo o sermão começa no MATEUS CAP 4.23.

O contexto mostra que Cristo estava falando às pessoas que o seguiam, esses eram os CEGOS, COXOS ALEIJADOS PARALITICOS ETC. Todos esses eram rejeitados tanto pelo império Romano, por serem improdutivos e pela religião como a dos fariseus, que tinha uma teologia de CAUSA E EFEITO!

O que significa uma teologia de CAUSA E EFEITO? Aquela velha barganha, faz para o Senhor que ele faz de volta, sai do caminho do Senhor e ele te castiga, sirva o senhor e prospere, se não servir, o Senhor não prosperará! Isso é o sistema de MERCADO!

O sermão do monte que aliais não é SOMENTE O CAPITULO 5 de Mateus nem começa nele, começa em MATEUS CAP 4.23, e vai até MATEUS CAP 8. 1, quando ele desce do monte. Portanto o sermão do monte é composto por QUATRO CAPITULOS!

Mas a tradição nos viciou a ler o sermão separadamen
te! É ai que entra o legalismo!

Jesus estava dizendo para aqueles que chamaram de BEM AVENTURADOS que DELES era o REINO, e apesar do ESTADO DELES, de forma que BEM AVENTURADOS SÃO OS QUE CHORAM não é POR QUE CHORAM que são bem aventurados, MAS PORQUE não podem fazer outra coisa A NÃO SE CHORAR!

Se o reino pertence aos bem aventurados que choram e porque choram, logo isso se caracterizaria o reino como uma conquista por MÉRITOS. Acontece que a marca do reino é justamente a graça, o que implica a ausência de méritos por aqueles que entram nele!

Os que têm sede de justiça são bem aventurados, porque tem SEDE DE JUSTIÇA e nada mais, visto que não tem PODER PARA FAZER A JUSTIÇA QUE TEM SEDE! È uma sede que não poderá ser saciada. Jesus diz: O REINO É DE VOCÊS!

Não é errado a pessoa ter SEDE DE JUSTIÇA e FAZER JUSTIÇA, pelo contrário, afinal, o trono de Deus é descrito como um TRONO DE JUSTIÇA!!!Jesus ama a justiça e aborrece a iniqüidade! (Hb 1.7-10).

Se o sermão do monte fosse mandamento para serem obedecidos eu prefiro obedecer a LEI... Porque? Veja... Qual seria melhor ser condenado por uma AÇÃO CONCRETA ou por um PENSAMENTO SUJETIVO?

Não adulterarás, a praticar o adultério é pecado essa era a transgressão da lei. Jesus diz: “Aquele que, porém desejar no seu coração já cometeu adultério”!

Qual é o mais difícil? Praticar o adultério ou desejar? Ora é claro que é o praticar. Se esse mandamento de Cristo for literal para ser cumprido logo então é mais fácil alguém da LEI ser Salvo, visto que muitos são os que não praticam o adultério, mas quanto ao desejar...

Sendo assim Jesus veio trazer uma LEI MAIS COMPLEXA ou um FARDO MAIS PESADO?

Agora ninguém toma esse texto com uma aplicação literal não é? Caso fizessem então os LEGALISTAS DE PLANTÃO deveriam averiguar se o membro da igreja DESEJOU NO CORAÇÃO e se ocorreu dar a tão famosa DISCIPLINA...

Mas alguém já viu ser DISCIPLINADO (Diga-se literalmente ex-comungado!) por ter desejado a mulher do irmão? Não! Claro que não! A resposta é AQUELE É UM ADULTÉRIO SUBJETIVO!

Jesus estava mostrando que a aplicação da lei pelos fariseus estavam na realidade atacando o EFEITO e não poderiam resolver a CAUSA!

Ora se para cumprir a lei teria que ser uma obediência de todo o CORAÇÃO MENTE E ENTENDIMENTO E FORÇA, logo o ato do adultério autenticava a transgressão do MANDAMENTO DA LEI, contudo, alguém poderia não consumar o ato e julgar-se melhor do que o transgressor ou ainda o condenar.
Jesus desmascarou mostrando que na essência da lei você pode ser um TRANGRESSOR MESMO AO TENTAR CUMPRI-LÁ.

Isso porque há possibilidade de obedecer aos MANDAMENTOS e se jactar diante dos homens, mas diante de Deus o obediente torna-se um TRANSGRESSOR DO ESPÍRITO DA LEI mesmo obedecendo-a! Cumpre o MANDAMENTO, mas descumpre o ESPÍRITO!

A ação precisa ser legitimada pelo amor, logo, a obediência à letra da lei é efeito, o amor é a causa! Quem viola a causa e se justifica pelo efeito, julga-se ser maior do que a causa, logo se torna DEUS DE SI MESMO, visto que cria a lei e se põe acima dela, quer ser maior do que Deus, pois o próprio Deus cria as leis, mas rege-as pelo amor.

O FARISEU cria as leis e faz delas um fim em si mesmo, se acham acima delas. Portanto que ninguém me venha com FARISAISMO MODERNO de querem se ufanar de ser um BOM CRISTÃO por cumprir os mandamentos do sermão! Esse ninguém os cumpre na íntegra.

O sermão do monte tinha o objetivo de mostrar que no reino CABEM TODOS INDEPENDENTE DO SEU ESTADO e quanto aos FARISEUS que se cuidem, pois os PUBLICANOS E MERETRIZES os antecederão, foi o que disse o REI desse reino: JESUS!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

TEMPO: CRONOLÓGICO X BIOLÓGICO

"Se tá tão difícil agora.
Se um minuto a mais demora.
Nem olhando assim mais perto.
Consigo ver porque tá tudo tão incerto".
(Música problemas - Ana Carolina).

Ana Carolina consegue como poucos expressar conflitos nos relacionamentos. Ela dá o diagnóstico de um relacionamento em crise. Mostra que o corpo é o relógio do tempo.

Há uma percepção de maior duração no “tempo cronológico” em detrimento do “tempo biológico”.

Quando o relacionamento está bom, à relatividade do tempo funciona da seguinte forma: O tempo biológico (sensações) diminui percepção de durabilidade do tempo cronológico.

Mas o que significa essas duas dimensões de tempos?

CRONOLÓGICO (Relógio): Medido através do movimento da terra em torno do sol.
BIOLÓGICO (vida): É o tempo das sensações, desejo, prazer.

O relacionamento de duas pessoas que se desejam, relativista a duração do tempo. O tempo “Cronos” é imperceptível, o desejo, as sensações, o prazer, faz como que ele seja percebido como de curta durabilidade.

Nessa dimensão é o corpo que mede o tempo. Essa verdade atua em dimensão oposta quando o relacionamento entra em crise, surge uma sensação que não havia antes: "Se tá tão difícil agora”. Um minuto, tempo não perceptível na esfera do desejo, é prolongado a sua sensação de durabilidade com a ausência do desejo: “Um Minuto a mais demora”.

Os mesmos sessenta segundos que não existiam na contagem da relação, agora são prolongados nas sensações.

A música prossegue mostrando a relatividade do espaço. Ela tenta entender o que está acontecendo, se aproxima no sentido de reflexão. O que está acontecendo? O que aconteceu com o “minuto” que não existia, e agora passou a ser “incomodo”?

A aproximação entre o sujeito e o objeto do desejo, não aumenta a sua percepção. A cognição é afetada pelas emoções. Não é uma questão de “Oftalmo” (visão), mas uma questão de “Nous” (mente, entendimento). Ela exclama: “Nem olhando assim mais perto. Consigo ver porque tá tudo tão incerto".

Na certeza criamos o que não existe, na dúvida não conseguimos perceber o que está à frente dos olhos, não é questão de distância geográfica, mas da ausência do desejo. O olhar que dava segurança, agora não consegue ver a razão para a insegurança.

Numa crise as pessoas sempre procuram a “causa”, mas nem sempre é possível encontrar... Mas pode-se sentir o efeito....

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O MITO DE SÍSIFO E O CAPITALISMO

O capitalismo com seu sistema chamado de “mercado” têm a capacidade de eliminar do ser humano o que lhe é mais peculiar: “A capacidade de criação”.

Na teologia essa capacidade é atribuída à herança da “imagem e semelhança do criador na humanidade”.

Mas como é que o mercado capitalista anula essa capacidade no homem? Ora o mercado atua num ciclo: Produção-repetição-acumulo, novamente, produção-repetição-acumulo e assim infinitamente...

Mas no que isso anula a capacidade de criação? Ora veja que nesse ciclo, não há espaço para o novo, para a criação, o homem não utiliza a imaginação, Ele é “robotizado” ao mesmo tempo em que é “desumanizado”.

Sísifo na mitologia grega recebeu uma punição de Zeus, e essa consistia em carregar uma pedra ao alto de uma montanha e quando chegasse ao topo, deveria soltar ela e descer novamente e subir a pedra sucessivamente infinitamente... Qual foi o maior castigo infligido pela divindade superior? Sem dúvida foi à repetição, tédio, ação sem criação, sem a imaginação.

O castigo de sísifo se assemelha ao castigo do capitalismo ao homem na sua configuração chamada de mercado. O homem produz utilizando a forma de repetição, sua mente está desconectada do seu corpo, não precisa pensar, não cria, apenas repete, dias após dias....

Se o trabalho virou mera repetição, não exige a inter-relação entre corpo e mente, já não é mais criação e sim repetição.... Na sabedoria da mitologia grega a punição pior para o homem seria a ausência de sentido no trabalho, essa seria a grande tortura para a existência humana: “Subir com a pedra e a soltar sabendo que vai rolar novamente e depois a buscar”, é uma ação sinônimo de Tédio!

Nessa experiência o tempo se torna supérfluo, pois embora exista o “Kronos”, o tempo “biológico” passa com a percepção de que nada ocorre, não acontece o novo, a surpresa, anula a experiência. O corpo torna-se máquina isso acontece pelo fato de que a experiência é a capacidade de assimilar acontecimentos, fatos, que nos confrontam com as dificuldades que nos transformam, que nos faz criar.

O mito de Sísifo continua atual.... Sísifo não tinha liberdade para rolar a pedra da montanha e não voltar a levá-la novamente para o alto. Zeus (deus) é o capital, o homem é Sísifo, seu castigo é “rolar a pedra” e a subir novamente.Essa é a sua sobrevivência ao mesmo tempo seu castigo...

Os deuses da mitologia tinham que cumprir seu destino, mas o homem pode soltar essa pedra do monte e não mais voltar a buscá-la?

sábado, 24 de dezembro de 2011

O que significa o nascimento de Cristo para o mundo?

O nascimento de Cristo para o mundo, significa um divisor de águas, fim de uma era, inicio de um novo calendário. 

No periodo em que Cristo nasceu havia duas culturas entrelaçadas (Grega e Romana) e uma na qual Cristo emerge (Judaica).

Os gregos tinham o lema de que a  sabedoria, o pensamento como forma de elevar uma classe social das demais, sendo assim, mulheres,crianças, escravos, eram sub-categorias. 

Os pensadores, eram a classe elevada ‘entender o kosmos’sofia (sabedoria) fazia separação entre os homens (1 Co 1.22).

Os romanos tinham nas suas leis o poder, a ordem era a forma para se manter a paz (Pax). A força, a pomposidade dos reis, a divisão de classes, a politica estruturada na conquista, no dominio. 

A filosofia romana era a ‘paz’ esse era o bem ‘maior’. Em busca de preservar a paz, pode-se oprimir o humano, o ideal de governo também deixava a humanidade dividida, estabelecia uma hierarquia onde o ‘império’ deveria ser mantido em detrimento do povo. 

A vida de cristo e não apenas o seu nascimento, sua filosofia e prática de vida, foi o primeiro a instituir os “direitos humanos“. Sua vida e mensagem carregava em seu bojo a inclusão social. As crianças que não eram valorizadas no judaixmo, tão pouco por gregos e romanos, eram modelos para o seu reino (Lc18.16).

Cristo fez a primeira revolução feminina da história, as mulheres não tinham voz na politica grega, tão pouco ocupava qualquer posição no império romano, no judaismo era interpretada como a responsável pela queda do homem. (Gn 3.6). 

Os pobres eram excluidos da religião judaica e tidos como sofredores da maldição divina. Jesus quebra esse estigma e os coloca como a classe que não precisava conquistar o reino, pois eram d'Eles antemão (Mt 5.3).

As pessoas que eram peso para o império, empecilho para o testemunho de  prosperidade da religião dominante,  foram acolhidas por aquele que veio como um verdadeiro revolucionário (Mt 5.3). Sem dúvida o maior  da história, veio para dividir, até o calendário ocidental foi partido em antes e depois do seu nascimento.

O nascimento de cristo é importante, mas a sua vida foi mais importante ainda. Ninguém viveu como ele,  defendeu o oprimido, libertou pessoas dos seus carceres emocionais e deu exemplo de como viver a vida.  
Viveu entre diversas culturas, mas nenhuma delas conseguir levar o ser humano onde Ele levou.

Na história do cristianismo interpretaram  Cristo de forma errada, transformaram a vida em códigos morais. Ele não defendeu a moral, mas sim  o direito do ser humano de existir e viver a vida em sua complexidade, sem juizos contra o outro, sem exclusão, respeitando crenças diferentes, amando as pessoas independente do que elas confessam crer. Cristo ensinou acima de tudo que as pessoas são mais importantes que sua religião.

Toda vez que alguém lutar pelos direitos dos pobres,  marginalizados, crianças,mulheres, doentes,  poderá até negar ser seguidor de cristo. Ser avesso ao  cristianismo dogmático intituido pela religião, mas estará defendendo o que Cristo defendeu, poderá até ser anti-cristo na teoria, mas será seu discipulo na prática.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

VERDADES DAS FERIDAS

Quando fui ferido.
Vi tudo mudar.
Das verdades que eu sabia.
Só sobraram restos que eu não esqueci.
Toda aquela paz que eu tinha.
Eu que tinha tudo hoje estou mudo estou mudado.
A meia noite a meia luz pensando.
Daria tudo por um modo de esquecer.
(Música: Meu mundo e nada mais Cantor - Guilherme Arantes)

O poeta diz que “a verdade” que “sabia” mudou quando “foi ferido”. Ou seja, as verdades que entendemos como “verdade de conceitos” ou “fora da ação” como são definidas no positivismo de Augusto Comte ou na Teologia ortodoxa, é a verdade da “Razão”. Logo o homem deve “sacrificar o corpo” para viver essa “verdade”. Uma verdade que vem de fora e se impõe.

O poeta percebe que “a verdade” está entranhada no corpo, nas emoções, sensações. Reconhece:  Vi tudo mudar das verdades que eu sabia”, ou seja, a verdade é “movimento”. Ele prossegue:  Só sobraram “restos” que não conseguia esquecer. A paz depende sim das circunstâncias, não como diz o hino idealista cristão: “Não importa as circunstâncias”, essa é uma idéia positivista, idealista, que advoga uma “realidade extra-histórica” que não está conectada aos conflitos, contradições, vida e dores.

O poeta diz: “Eu que tinha tudo hoje estou mudo estou mudado”. Ora, que relação há em “ter tudo e após o ferimento estar mudo e mudado”? Essa é uma realidade que o religioso extremista experimenta, quando acha que tem a “verdade” e essa é sistematizada pela mente, extra-física, Ele “fala e defende em alta voz”, contudo, quando a vida o confronta com as “feridas”, o primeiro sintoma é “a ausência de Paz”. "Toda aquela paz que tinha". Agora resta a oportunidade de reconstruir a partir dos “restos que sobraram”.

O estado de “mudez” substitui as palavras. No silêncio da reflexão produzida pela dor, as incertezas são os absolutos do sábio, em contraposição, as certezas são as fortalezas do tolo. Hoje estou “Mudo e mudado”, um trocadilho gramatical que expressa mudança, as “certezas” produzem feridas, mas as “incertezas” são sintomas de quem é ferido”.

“A meia noite” é um arquétipo de “crise” período de transição, hora de silêncio, reflexão de quem não está dormindo pela ausência de sono, “meia luz pensando” nostalgia, ansiando a luz completa que outrora tinha antes de “ver tudo mudar”.

O poeta daria "tudo para esquecer", não o que acreditava antes do ferimento, mas o ferimento que lhe fez lembrar das suas “verdades”. Verdades que eram seu porto seguro, agora ele "daria tudo para esquecer". Esquecer que o maior destruidor de “verdades” são as “feridas”. Não as feridas que causamos, mas a que outros causam em nós. Esse é o momento de mudar o tempo do verbo: As verdades que "sei" tornam-se as verdades que "sabia”.