Top blog

Top blog
Jl-reflexoes

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Transformando as Adversidades em Crescimento

Texto: 2 Timóteo 4. 9-18
Logo no início da vida, quando a criança sai do útero, ela sofre um impacto, deixa o conforto, entra no in-conforto, enfrenta um mundo desconhecido. Passa a sentir todas as circunstâncias ao seu redor, é o que a psicanálise chama de “desamparo”, um processo que se instala no ser humano desde o seu nascimento, como se vivesse em constantes perdas.

As mudanças de fases expressam bem essa realidade, onde em cada etapa, o ser humano enfrenta adversidades. Nessas adversidades que surgem, uns as usam para se fortalecer; outros atrofiam, ficam enclausurados em seu mundo imaginário, por não ter coragem de enfrentar e extrair algo de positivo, que venha servir de alavanca para outra dimensão da vida. Quando se extrai lições, a adversidade é benéfica, é necessário fazer dela um aprendizado, não vê-la como uma inimiga, mas companheira que conduzirá ao crescimento.

Só podemos crescer, se nossa capacidade de resposta for maior que a adversidade apresentada. Caso contrário, o que deveria ser uma forma de transpor e nos levar a outra dimensão, poderá nos paralisar, sem que consigamos extrair algo de positivo.

Mas como poderemos transformar as adversidades em crescimento? O que de positivo poderemos extrair na vida do apóstolo Paulo? Olhando para a sua vida o que podemos extrair das adversidades que ele enfrentou? Como podemos transformar as adversidades em Crescimento? Estaremos extraindo algumas lições que ele apresenta no relato da sua segunda carta ao seu discípulo Timóteo.

Na vida Haverá muitas Perdas, aprenda a Conviver com Elas. [2 Tm 4. 9-10]

Somos possessivos por natureza, ao alienar-se de Deus o homem vive uma síndrome de “perda”. Uma sensação de que em algum lugar no tempo, algo escapou dos nossos domínios. E com isso não é difícil de nos apegarmos as pessoas, objetos, e transformá-los na imagem daquilo que perdemos. Lidar com as perdas é algo que nunca podemos nos jactar que estarmos preparados, essas são eventos a qual não há uma preparação prévia.

Sempre que perdemos, ficamos com uma sensação de desolação, até mesmo numa brincadeira em que determinamos que não tenha nada em jogo para perder. Brincamos com o dever de ganhar, pois inconscientemente, o ser humano não admite perder, parece uma sublimação de uma perda maior: “A realização no próprio Deus”.

O apóstolo Paulo experimenta essa realidade quando no fim da sua vida, ele escreve a Timóteo com uma grande urgência pedindo para que ele viesse depressa [2 Tm 4.9] fala das suas perdas: “Demas amou o presente século me abandonou”, outro amigo por circunstancias desconhecidas: “Crescente foi para a Gálacia” e “Tito foi para a Dalmácia” [2 Tm 4. 10]. Somente uma pessoa entre tantas estava com ele, e esse era Lucas [2 Tm 4 .11]

O apóstolo não finge que estava abalado, pois ao fim da sua vida, certamente ele esperava a presença de pessoas nas quais ele sempre esteve presente, mas teve de aprender a conviver com a ausência. Algumas pessoas nos deixam por circunstâncias que não nos magoam, outras por interesses próprios, por discordarem das nossas ideologias de vida. São perdas, com as quais precisamos aprender a conviver.

Na Vida você Precisará ser Flexível, aprenda a Voltar Atrás. [2 Tm 4.11]

Na nossa jornada existencial, podemos tomas duas atitudes diferentes no tocante ao aprendizado: “podemos fazer com que as experiências amargas de ontem, sejam usadas para nos tornar mais flexíveis”, ou “podemos fazer com que a idade, ao invés de nos amolecer, nos tornar duros, inflexíveis”.

As mesmas dificuldades podem produzir duas reações diametralmente opostas em nosso ser: “podemos nos tornar flexíveis e aprender a voltar atrás”, como exemplo de quem aprendeu que voltar atrás também é ir à frente, inclusive quando se está errado. Ou usar o argumento de que não volta atrás, pois a experiência ensinou o suficiente e agora está imune aos erros, Paulo fez a primeira opção: “Toma contigo Marcos e traze-o o, pois me é útil para o ministério” [2 Tm 4. 11].

No início do seu ministério, Paulo teve grandes dificuldades de relacionamento com Marcos, pois esse o deixou no meio de uma viagem e voltou para Jerusalém [At 13.13]. Essa foi à razão pela qual Paulo e Barnabé vieram a separar-se posteriormente. Paulo não achava justo que Marcos fosse com eles, em razão de que havia os deixado antes de chegar o fim da viagem que iniciara com eles [At 15.38].

Às vezes não queremos usar da mesma bondade com que os outros usaram conosco, no ímpeto de achar que somos justos, sempre usamos de rigor, inclusive quando se é jovem. Barnabé também estava junto, mas não ficou tão frustrado como Paulo. A experiência de Barnabé, certamente o influenciou para usar de bondade com Marcos; mas Paulo esqueceu-se de que no início do seu ministério foi a bondade de Barnabé com ele, que o ajudou a conviver em paz com os irmãos [At 9.26-27].

O tempo é pedagógico, o movimento da vida traz com ele a oportunidade de rever os conceitos, ser mais flexível, compreensivo, pois no calor das emoções, podemos agir por instinto, e nossa defesa acaba sendo um ataque.

Anos mais tarde, o apóstolo reconhece que naquele momento passado, ele tinha suas razões para fazer o que fez. Mas agora, as razões perderam o tempo de validade, o que ele fez ontem, não servia mais para hoje. Isso mostra crescimento, pois uma ação de rejeição no passado embora correta na dimensão da “justiça” cede espaço para um reconhecimento da utilidade no dia de hoje!

A circunstância de abandono que Paulo estava vivendo o fez repensar em toda a sua vida, e chegou a conclusão: “Nunca é tarde para voltar atrás”. O termômetro da maturidade do ser humano consiste na capacidade de reconhecer que: “O que ontem foi certo, pode não ser certo hoje”. “O que não foi útil ontem pode ser útil hoje”. Somente com a humildade, que é o reverso do orgulho, podemos ser capacitados a voltar atrás. Essa é uma atitude que, certamente, define alguém que consegue transformar adversidades em crescimento.

Na vida Você sempre Precisará aprender, nunca Ache que já sabe o Suficiente. [2 Tm 4.13]

É interessante notar como o apóstolo Paulo já praticava um método que hoje a ciência conclui como importante para se manter lúcido no decorrer dos anos: “manter a mente ocupada”. A leitura exercita a mente, esse é um principio básico para quem não quer atrofiar todo o corpo. “Traze meus livros, e especialmente meus pergaminhos”, Ele já havia dito que “o tempo da minha partida está próximo” [ 2 Tm 4.13]

Paulo sabia que a inatividade do seu corpo naquele cárcere, não poderia imobilizar a sua mente. A necessidade de aprender deve ser algo consciente na vida, isso impulsiona, faz descobrir novos horizontes. A mente não pode ter grades, não pode ser encarcerada. Uma pessoa saudável, começa por uma mente exercitada na meditação, na subjetividade da vida.

As ações concretas têm seu valor, mas contemplar o subjetivo, viajar no mundo da imaginação, dos bons livros, nos faz sair um pouco da dura realidade que vivemos em alguns momentos. Não podemos viver a vida somente numa dimensão unilateral. Quantas vezes há um sentimento de culpa por não estarmos fazendo nada, por gastar tempo com algo que não está na linha de produção?

O apóstolo Paulo queria crescer, e na adversidade de ter seu corpo limitado pelo espaço geográfico, queria romper as grades, numa dimensão que ninguém poderia lhe tirar: “a dimensão da mente”. Essa não pode ser limitada, pois uma pessoa limitada começa pela limitação da própria mente. A qualidade do que pensamos determinará a qualidade das nossas ações.

Certamente ele se lembrou no cárcere de quando esteve no areópago em Atenas, que por ter lido os escritos dos filósofos Aratus e Cleantes, pode dizer aos poetas que também criam na homogeneidade da raça humana tendo sua gênese em Deus, a partir de um homem [At 17.28].

Paulo queria gastar bem o tempo que lhe restava, já que só poderia ler, então usou da melhor forma possível. Certamente ainda deu tempo de aprender algumas coisas, entre elas que “nunca é tarde para aprender”! Transformou adversidade em oportunidade de crescimento.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O Feminino na Teologia Judaico-cristã

Quanto mais estudo a religião em conexão com a psicologia, mais percebo a estrutura dos arquétipos que estão por trás de toda a construção da existência humana. A tradição judaica no Genesis tinha antes de Eva uma figura feminina por nome “Lilyth”. Essa foi à primeira “mulher” criada perfeita, mas se “rebelou” contra a autoridade masculina.

Na cabala Lilith é tida com a primeira mulher, antecede Eva no antigo testamento, também responsábilizada pela “desordem no universo masculino” (sempre elas não é?)

Ela abandonou o jardim do Èden por causa de uma disputa sobre igualdade dos sexos, chegando depois a ser descrita como um demônio, essa passagem está registrada no livro do profeta Isaias, segundo a interpretação Rabinica.

Algumas interpretções dizem que Lilyth se rebela quando percebe que é da mesma matéria prima que adão, essa percepção culminou na recusa: “Ficar sempre por baixo durante o ato sexual”.

Lilyth é a précursora que remonta o inconsciente revoltado contra o “dominio patriarcal, teve a audácia de questionar Deus sobre a razão dessa inferioridade ele reponde: “Essa era a ordem natural, o domínio do homem sobre a mulher”. Essa resposta a levou a abandonar o Éden.

Após os hebreus terem deixado a Babilônia Lilith perdeu aos poucos sua representatividade e foi eliminada do velho testamento. Eva é criada no sexto dia, e depois da solidão de Adão no gênesis.

Agora deixando o fundo histórico, o que percebo é que o homem ao longo da história criou mecanismos de defesa, sentiu-se ameaçado, seja qual for a forma que a mulher ganhou ao longa da história seja Astarte, Lilith, Rainha dos céus, Eva ou Maria.

Uma coisa percebe-se no fundo do inconsciente masculino: “O homem sente-se ameaçado”.

A divindade do Espírito Santo no novo testamento como uma “personalidade assexuada”, seria a síntese inconciente, para ficar num “meio termo”, nem o pai vetero testamentário, nem o filho néotestamentário, nem a mãe, maria mãe de Deus, que gerou um filho do pai, mas esse não era homem somente, “era Deus-homem”.

Filho de Mulher sem contato de homem! O Espírito Santo é a SINTESE da divindade, nem masculino nem femino, “neutro”, visto que a ausência da figura masculina ou feminina no arquétipo humano deixa-o deficiente.

Só o Pai do AT) , simbolizando a força, o poder da guerra, a manutenção da vida, deixa deficiente,da ausência do colo materno, geradora da vida, leite, cuidado no crescimento!

A figura feminina é responsavel por gerar a vida, a masculina por protegê-la.

A história da humanidade não conseguiu conciliar esse dois lados importantes da existencia humana. Um sempre exluiu o outro, no novo testamento, sugre uma terceira via, que ninguém via, a saber: Um “Deus” que os cristãos adota pela necessidde inconsciente de apaziguar esse conflito.

Nem o pai, nem a mãe, nem o filho, ou todos ao mesmo tempo e nenhum exclusivamente, que tal o “Espírito Santo”? Na teologia tem as mesmas glórias do pai e do filho, são eternos, mas diferentes individualmente!

Além do que, a teologia do Espírito pode ser uma expressão inconsciente da associação do pecado ao sexo, por isso a mulher fica “gravida do Espírito” não é um homem que a engravida, mas o proprio “Deus”.

Isso porque a “mulher” não teria pureza suficiente para gerar um “santo” com o homem, nem o homem a poderia “purificar” visto ser ele também impuro.

Não seria essa forma do Novo testametno incoscientemente valorizar a mulher? Ao mesmo tempo que a salvação vem por um homem, não é o homem o autor da salvação?

È um “homem” que redime, mas esse não é filho da “mulher”, nem “filho de homem”. Não é fecundado por homem, mas pelo “Espírito”. (Ruah: vento, sopro, ar em movimento). Com personalidade, mas “assexuado!

Seria incoscientemente uma repugna ao “sexo” ao mesmo tempo uma resignação contra o dominio “Masculino”? Uma tentativa de “equilibrirar”, visto que a mulher tem maior participação do que o homem na história da redenção cristã?

Não seria “filho do homem” o redentor, mas seria “semente da mulher”! Opa! Mas quem disse que mulher tem semen-te? Não importa estamos falando de fé...
____________________________________
Esse texto foi postado anteriormente com o tema
Deus: Masculino -Feminino...Sem Sexo! (Com pequenas mudanças)
http://cpfg.blogspot.com/2010/08/deus-masculino-femenino-sem-sexo.html

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Desamparo: O homem em Busca de Ser Aceito

Ler a Bíblia com olhar psicanalítico pode nos mostrar coisas que dificilmente perceberíamos numa leitura apenas teológica. Na leitura teológica, o leitor busca comprovar o que se crê, ou seja, ele vai para o texto com uma TESE inconsciente, na realidade ele parte de uma premissa afirmativa e vai ao texto comprovar a veracidade da premissa que crê.

O mito rejeição paterna de Deus no tocante a oferta de Caim... Como um Pai rejeita o presente de um filho e aceita o presente de outro. Não seria iniciar uma carência afetiva que produz um complexo de rejeição no outro...

Esse relato de Genesis mostra o processo mítico da guerra entre irmãos... o judaísmo reproduz o que outras culturas já haviam expressados em seu contos mitológico. No Genesis as guerras entre os irmãos começam a partir desse relato e é estendido a atualidade...

A partir desse relato de Genesis capitulo 4, prossegue a odisséia, o mito da rejeição paterna aplicado a Caim se estende....

Abraão por força das circunstancias rejeita Ismael, não lhe deu herança, mandou-o ao deserto abandonado a sorte. O anjo (Senhor) vai e resgata a mulher e seu filho...

Deus escolhe um dos filhos para ser o “herdeiro”, e esse é “Isaque”, veja automaticamente rejeita Ismael. Na seqüência da linhagem, Deus deixa claro que prefere Jacó rejeita Esaú. Paulo interpreta dizendo que Deus se aborreceu de Esaú, e ainda antes do nascimento! (Isso não é incrível!)

Veja que cada ato de Deus em favor de um, automaticamente desencadeia conflitos psicológicos no outro. E cada atitude de “Deus” é inconscientemente reproduzida nos seus filhos (Abraão, Isaque e Jacó).

O mito de que o filho  reproduz os erros dos pais....Cada escolha de Deus em preferência a um patriarca, é reproduzida no patriarca da mesma forma rejeitando um dos seus filhos...

Depois que Deus manifestou predileção para com Abel, rejeitando a CAIM E O QUE ELE OFERECEU. Toda a sua descendência de Caim é tida como do mal, os aceitos por Deus foram os “Bons”.
Caim entrou num processo de ira reprimida que culminou entrando para a história como o primeiro homicida, daí todos os seus descentes os “Filhos de Caim” passaram a representar a personificação do Mal. Nasce um filho substituto por nome SETE, para dar continuidade a interrupção na linhagem de Abel.

Os patriarcas deram continuidade aos erros dos seus precursores. Abraão cometeu o erro de dar predileção a Isaque, e isso com a “aprovação de Deus”. Isaque da continuidade ao erro do pai, ao escolher Esaú e rejeitar Jacó.

A partir daí incendiou o conflito entre os irmãos...
Jacó enganou o seu irmão e sumiu.... Mas não para ai... Cometeu o mesmo erro do seu avô (Abraão) e do seu Pai (Isaque), perpetuou o seu erro ao escolher José rejeitando os demais e despertando conflito entre eles.
José foi vendido pelos irmãos, jogado no poço... E segue: “A SAGA DOS ESCOLHIDOS DE DEUS QUE PRECISAM TER UM ADVERSARIO PARA COMBATER”.

Esses adversários nos relatos bíblicos normalmente são os irmãos.... Não seria uma busca de aceitação, onde somente excluindo o outro é que mostro o quanto sou importante?

Será que os relatos de Genesis não foram mal interpretados por Judeus-Cristãos -Mulçumanos...

Se Deus não faz acepção de pessoas, porque ele iria iniciar uma guerra de conflitos entre irmãos desde a rejeição de Caim... E olhe que o texto diz que: “E CAIM E SUA OFERTA REJEITOU O SENHOR”.

O escritor coloca primeiro a pessoa como objeto da rejeição, depois o objeto oferecido por ele...

Essa forma de registro fere no mais profundo a psique da pessoa, pois não foi uma rejeição ao erro, mas a pessoa!

O relato de Genesis é um Drama mitológico que enfrenta a humanidade com o maior de todos os problemas numa projeção do desamparo que sente o filho em relação ao Pai....

E esse desamparo encontra no ciúme do amor que o pai divide como os demais irmãos um combustível para as “Guerras entre irmãos”!

A rejeição paterna não é um registro único de Genesis, é comum na mitologia guerra entre irmãos... Na história bíblica dá a impressão que para “UM FILHO SER AMADO, O OUTRO TEM QUE SER REJEITADO”!

Os Filhos (árabes e Judeus) sentem o desejo de ser amado e inconscientemente disputam o amor do pai. O mesmo amor do Pai é disputado entre CATÓLICOS E PROTESTANTES...

Em ambos os casos os filhos admitem ter o mesmo pai, mas não aceitam ser irmãos, não podem amar-se pelo egoísmo de não querer dividir o seu amor do Pai...

Essa não é apenas a história de Judeus-Árabes e Católicos-Protestantes...Essa é a nossa história!

sábado, 24 de julho de 2010

A Influência de Platão na Teologia de Paulo

O desejo do homem ao olhar para um corpo que se sofre com a temporalidade, produz na psique um desejo de imortalidade. O olhar do homem para o finito cria desejo do infinito.

Cristo nunca falou de corpo glorificado, mas sim Paulo. Qual a razão para a expressão de Paulo? No que  está firmada a sua reflexão  e consequentemente sua teologia? 



“CRISTO VIVEU A CONDENAÇÃO DO PECADO NO CORPO, PAULO TEORIZOU SOBRE O CORPO DO PECADO”


Isso significa que uma coisa é quando o VERBO FALA, experimentando na corpo o que fala, e o que fala fica sem nexo: “DEUS MEU, DEUS MEU PORQUE ME DESAMPARASTE? Outra diferente é quando o que fala quer colocar na escrita o que o corpo sente, nesse caso o que fica sem nexo é a fala.

O primeiro (Cristo) fala a partir da vida e das dores, é “Deus” se encontrando nos limites do homem. O segundo e a fala do homem a partir da interpretação da vida, e ai a vida do homem limita a fala.

No primeiro não há dogmas, pois o que o corpo experimenta não é possível racionalizar. No segundo, há uma tentativa através da filosofia expressar o que o corpo sente, a razão se perde, pois o corpo primeiro sente, e sensação não pode ser decodificada por palavras.

Cristo não fala da carne, esse termo lhe é estranho, Paulo empresta do gnosticismo essa dicotomia. Na realidade Paulo sendo discípulo de cristo, é na verdade o melhor aluno de Platão!

Paulo escreveu as suas cartas primeiro, os evangelista que andaram com Jesus escreveram depois... Porque não deram ênfase a sua teologia? A hipótese seria:

“Os evangelistas nos Evangelhos, narram os atos, deram interpretação tendo por base a vida no corpo que culminou na morte e ressurreição”.

Paulo o apóstolos dos gentios, tentou levar o evangelho na linguagem da filosofia grega, onde o axioma universalizado era: “O corpo é mortal a alma é imortal”.

Ele tentou fazer com que o cristianismo fosse acessível aos gentios, e os gregos não poderiam ficar de fora, então usou terminologia da filosofia platônica. Mesmo que  em alguns textos ele mostra a diferença entre fé cristã e a filosofia grega ao falar da ressurreição como ápice final na sua teologia (1 Coríntios 15).

Platão tinha a seguinte cosmologia:


- O MUNDO NOUMENAL - O mundo metafísico (mundo das idéias, do intelecto, mundo ideal a ser conquistado).

- O MUNDO FENOMENAL - O mundo físico (Mundo dos sentidos, sentimentos, sensações, que se opõe ao mundo ideal)

Platão entendia que esses dois mundos estão em antagonismo, em guerra constante, para se alcançar a dimensão do “MUNDO NOUMENAL”, (Metafísco- fora do corpo) o homem teria que travar uma guerra contra o outro mundo o “MUNDO FENOMENAL”, (Físico no  corpo) esse que era o ilusório, enganoso e mal!

É nesse pressuposto que Paulo tenta dialogar com a filosofia grega, explicar a complexidade do embate da PSIQUE (Noumenal – Metafísico – idéias, intelecto) e SOMA (natural-corpo, sensações, desejos). 

Essa conspiração tem outra terminologia na psicanálise Freudiana. A luta do SUPEREGO (equivalente ao noumenal em Platão que é o ideal) X o EGO (Desejo - atua na dimensão dos sentimentos que buscam satisfazer o ID ou necessidade, equivalente ao fenomenal (Platão).


A satisfação dessas necessidades seria ir contra o NOUMENAL, o mundo ideal. (Qualquer semelhança com a luta da carne (sentimentos-desejo) x Espírito (não físico, ideal) não terá sido mera coincidência, mas sim mistura de Paulo com Platão.

Qual a solução encontrada para atingir o mundo noumenal na filosofia grega? Sacrificar o corpo, aniquilar os sentimentos, visto que o corpo é “A prisão da alma imortal”. 

Em nenhum momento se fala de ressurreição na filosofia grega. Nenhuma divindade havia descido ao Hades (Inferno) para vencer Thanatos (Morte). Na mitologia não havia idéia de Ressurreição! 



Está explicado porque o sermão de Paulo em Atos 17 foi bem aceito até o momento em que ele disse: “E ESSE DEUS O RESSUSCITOU DOS MORTOS”! Se referindo a ressurreição de Cristo. Paulo tenta unir a filosofia platônica com o cristianismo e diz em outras palavras o que Platão havia recomendado: 

“A CARNE LUTA CONTRA O ESPÍRITO”. É coincidência?

O que é carne para Paulo? 


“É o equivalente em Platão o que ele chama de mundo “fenomenal”. A carne se opõe ao Mundo Noumenal".


Na teologia Paulina “Espiritual = ideal que está para além dos sentidos! Ou seja, NOUMENAL, a conquista se dá por meio da ASCESE. Mais uma vez coincidentemente o que ensinava PLATÃO.

O mundo noumenal de Platão e conquistado com o sacrifício do corpo, anulando os desejos, traduzindo para a Linguagem Paulina: 

“O CÉU (NOUMENAL) É CONQUISTADO ATRAVÉS DA NEGAÇÃO DOS DESEJOS DA CARNE  (FENOMENAL)!

Essa dicotomia expressa os paradigmas científicos de sua época, o que era compreensível aceitar em seu tempo, o mundo era dicotômico, é compreensivo que Paulo acompanhasse essa tendência.


Numa retrospectiva na história do pensamento, percebe-se que a  TEOLOGIA, e todas as demais áreas do saber,  sempre se inclinaram a acompanhar as teorias cientificas aceitas como verdade, contudo as teorias que eram absolutas naquele momento histórico, foram re-significadas, ou seja, não eram descartadas mas ajustadas a nova verdade que se descobria.


No entanto alguns teólogos preferiram canonizar as suas certezas, e ficar no  ostracismo, fadados a um teologia arcaica e irrelevante.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Culpa: A maior de todas as Potestades!

Acredito que Jesus tinha muitas dimensões tanto Téo-lógica quanto psico-lógica ao usar o termo “Satanás”, no texto bíblico, Ele usou a palavra “satanás” naquele contexto de Lucas, na minha interpretação, como a “culpa recalcada”, que foi à causadora do mal naquela mulher. A culpa entrou em sua psique e a “encurvou”! O que a medicina moderna chama de doenças psico-somáticas.

Alguém duvida que a culpa possa encurvar uma pessoa?... Ainda mais uma mulher na tradição judaica que já nascia culpada do “pecado de Eva”!

Jesus usou nomes como “castas", “demônios”, "satanás” em concordância com a crença da época, satanás era o agente, uma “pessoa com personalidade”, em antítese ao pai, na qual Jesus orava usando um pronome pessoal.

Não tenho dúvidas de que esses termos eram usados para falar do maior de todos os “diabos”, a “Culpa”, essa é a irmã gêmea de Satanás que foi gerada pela busca desenfreada da perfeição para "Agradar uma divindade", seja qual for à religião!

Uma mulher estava na sinagoga, contextualizando com os nossos dias, podemos dizer que era um dos lugares que esta relacionado com a religião (igreja). A religião muitas vezes aumenta a sensibilidade da consciência através da Regras, sobrecarregam o superego (consciência?) e essa sobrecarga aumenta o desejo de transgressão e quando a pessoa transgride, não consegue viver no nível exigido, é dominada por um estado de culpa tão alucinado que vai parar em centros de internações psiquiátricas.

Quem duvida disso é só ir aos hospitais psiquiátricos e verão que a maioria dos pacientes são evangélicos, e quanto mais radical é a igreja mais doentes mentais ela produz.

Jesus já tinha mapeado o DNA da maior de todas as potestades da religião:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós” (Mateus 23.15)

Um filho do inferno tem poder de fazer seu discípulo duas vezes pior do que ele, justamente aqueles que têm “Doutrinas certas” e querem levar outros ao “céu”, na realidade os conduzem ao “inferno”, esse é o único “mestre” que consegue contrariar a fala de Jesus: “O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre”. (Mateus 6.40)

Para Jesus o discípulo que o seguisse não ia superá-lo, mas poderia se tornar igual ao mestre, mas os discípulos dos religiosos quebrariam essa lógica, na dimensão dos religiosos eles sempre vão além, conseguem transcender: “Faziam dos seus discípulos duas vezes piores que eles”!


O apóstolo Paulo mostrou que uma das formas de poderes demoníacos era justamente o que mais existe nas religiões:

“Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo”. (Colossenses 2: 14-15)

Ele não fala de um demônio com personalidade, mas sim de “principados” e “potestades”, que sobrecarregam a psique com a culpa por não atingirem nunca a “perfeição idealizada”.

Essa é um demônio antigo, revelado na religião, a maior criadora de “espíritos malignos”, como queiram chamar os ortodoxos, ou uma grande potestade e o maior diabo que é a Culpa!

A culpa é importante como preservadora da vida, ela se faz necessária, mas a falsa culpa despertada nas tradições religiosas, essa sim causa um mal irremediável ao ser humano.

Vejamos o exemplo daquela mulher aprisionada por “Satanás”:

“E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se". “Vendo-a Jesus, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade”. (Lucas 13.10-11)

A cura se deu no momento em que ao ouvir um homem falando com ela, e ainda no templo, sua estima foi ao alto, e ao subir a estima o seu corpo subiu juntamente com ela. A valorização da pessoa através do amor fez uma simbiose entre psique-corpo, e, veja o que aconteceu: “e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus”. (Lucas 13.13)

Em Impondo as mãos “sobre ela”, percebemos o efeito psicológico causado naquela mulher ao sentir a aceitação de Jesus? E a ação de impor as mãos sobre uma mulher que no mínimo estava debaixo de maldição para a sua sociedade? Afinal, carregava o estigma de ser a responsável pela entrada do pecado na humanidade!

A cura aconteceu na sua psique, o “Espírito” que aprisionava, não é uma questão se o “espírito” era ou não era uma entidade com personalidade, mas com certeza pode-se afirmar que esse espírito atuava num “sentimento de desvalorização”, ou o fatal “complexo de inferioridade”, e essa diluição do ser levava a mulher a encurvar-se.

Quantos hoje  estão aprisionados por Satanás a mais tempo do que essa mulher, através da religião onde há tanta culpa que os faz encurvarem...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Jesus nos lábios... Mamom no coração!


A teologia sempre traz pré-supostos inconscientes por trás de muitas teorias afirmada ao longo da história, uma dessas é a afirmação “bênçãos materiais” x “bênçãos espirituais”, mostram uma hermenêutica falha dentro do contexto da vida de Jesus.

Jesus advertiu os discípulos sobre essa dimensão de se relacionar com os desejos, não dividiu benção em duas dimensões "Materiais x Espirituais", mas falou do coração como fator legitimador para determinar o curso do coração humano.


Como é que se define uma benção espiritual ou material? Isso não existe, essa dicotomia é a razão do flagelo do cristianismo atual, porque ao fragmentar “material x espiritual”, o cristianismo se iguala a qualquer outra filosofia religiosa.

È daí que surgem os méritos como justificativa para ser bem sucedido, tudo isso se originou no conceito grego agostiniano, onde se dividia a vida natural e a noumenal, ou seja, a vida dos sentidos em oposição à matéria, sendo que a matéria era oposição ao mundo ideal, não físico, por isso as bênçãos que se deve almejar é a da “alma”, não física, pois a matéria essa está em oposição ao espiritual! (Matéria x Espírito).

A minha tese é: “O espiritual não está na dimensão do material nem do não material”, mas sim nos “sentimentos” que transformam o material em espiritual, ou seja, a natureza do objeto não tem significado em sí, mas o significado vem dos sentimentos de quem o possui em relação ao objeto de posse!

Jesus disse:
“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam, porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração, a candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas! ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. não podeis servir a deus e a mamom”. (Mateus 6.19-24)

A ortodoxia cristã interpretou esse texto que o tesouro no céu onde a traça e a ferrugem não corroem e os ladrões não roubam (v20), como sendo os exercícios espirituais, tais como: “Oração, jejum, Louvor, adoração etc....

Na sequência Jesus fala do coração como vitima do tesouro, do domínio próprio, e dos cuidados com o desejo exagerado de posse (v21), e culmina se antecipando a psicologia falando da somatização como efeito dos desejos, atingindo o corpo, o que era estranho para a teologia da época, e ainda hoje para alguns que estão descontextualizados...

Jesus continua falando sobre os dois senhores em constante conflito, usa metáforas antitéticas como “luz x trevas”, “olhos bons e maus”, “Deus e mamom”.

Não quero entrar na dimensão psicológica do texto, mas ele está dando um show de conhecimento  da psique humana, antes da psicologia profunda, sobre as instancias antagônicas (ego x superego), que chama de “dois senhores”.

Jesus conclui mostrando que na realidade não existe “material ou espiritual”, e sim que os sentimentos iriam determinar a espiritualidade. Para ele as bênçãos espirituais são aquelas que nos dá sabedoria em “ADMINISTRAR OS BENS SEM DEIXAR CORAÇÃO SEJA DOMINADO POR ELES”.

Quem faz isso “ajunta tesouro nos céus”, pois ao invés de ficar ajudando os irmãos em “oração e jejum”, rogando para Deus abençoa-lo, vai ao banco tira um pouco do “tesouro que está ajuntando” e ajuda com as bênçãos que tem adquirido, mas isso só será possível se sua confiança não estiver no tesouro que está no “Banco da terra”, pois o banco do céu é investir naquele que necessita!

Jesus prossegue:
“Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?” (Mateus 6.24).

Qualquer pregação que leve a pessoa a “ansiedade”, quanto a sua subsistência, é anticristã, seja “bênçãos espirituais” (que não acredito) ou das “bênçãos materiais” (que também não acredito). Todo esse discurso são geradores de neurose em busca de segurança, o que contraria justamente a “fé”, que é a segurança na própria insegurança, ou seja, uma certeza que habita o coração de quem crê mesmo que não encontre razão para essa crença!

A única benção que acredito existir é aquela que não tira a minha paz, nem a sua conquista, tão pouco a sua ausência, na minha percepção o material e o espiritual se fundem numa só dimensão.

O material é espiritualizado e deixa de ser “material”, quando os meus sentimentos são de dependência para com esse objeto, estando ele em minha posse ou no meu desejo.

O sagrado só existe na dimensão do coração de quem crê, por isso para mim não existem “bênçãos materiais” ou “bênçãos espirituais’.

Deus e mamom tornam-se Senhores no coração de quem lhe entregar os seus desejos, seja o objeto de natureza física (material) ou abstrato (não material), por isso Jesus adverte: “os olhos são as lâmpadas do corpo”, são através deles que nossos desejos se intensificação e vão determinar em qual esfera viveremos a nossa vida, quem a dominará.


Ter tesouro no céu, não significa receber recompensa em outra vida, mas viver aqui uma vida superior, não sendo escravo de nada que venha possuir, afinal não são poucos os que pensam que possuem tesouros, quando na realidade são os tesouros que o possui!


Jesus coloca em questão a grande resposta que daremos a nossa existência: 


“Seremos Senhores das nossas conquistas ou escravos delas...”

terça-feira, 29 de junho de 2010

No que estou crendo...

Minha confissão de fé tem sua base no Cristo ressurreto do Evangelho, mas a minha interpretação do Evangelho de Cristo, sofre alterações, pois num universo em movimento não posso me dar o luxo de ficar estagnado.

O meu credo expressa não uma filosofia, mas a minha dialética com a vida, a partir desses “pré”-supostos, esse credo está em aberto, passível de re-interpretação. Istó é, quando a práxis da vida, for confrontada com as contingências, faço ré-visão, dou "ré", e tento ver o que deixei de ver, pois é isso na minha existência que me faz decifrar os mistérios que são revelados nas ambivalências da vida! Não sou mais teó-logo, mas teó-fago, meu discurso não tem mais a pré-missa na lógica do Logos, mas na i-lógica dos dis-sabores da vida! ...Sendo assim quero deixar registrado algumas bases da minha fé.

1 – Creio que a “verdade” é que toda a “verdade” é cristo, somente cristo tem o absoluto da verdade, no demais o único absoluto é o relativo.

2 – Creio que a todo ponto de vista é à vista de um ponto, nos sempre vemos de um ponto, somente Deus tem todos os pontos de vista e tem a vista de todos os pontos.

3 – Creio que a nenhuma teologia pode responder as questões de fé, e se apresentar como resposta aos paradoxos da vida.

4 – Creio que a própria palavra “teologia”, já é um paradoxo, pois não se estuda Deus, ele não é um objeto estático que se observa e se descreve, Deus se experimenta, e quem o experimenta não consegue descrever.

5- Creio que a palavra “Teólogo” é um termo que descreve aquele que estuda Deus, mas visto que Deus não se estuda, mas se experimenta, prefiro então o termo “Teofago”, por isso Jesus disse: “aquele que comer da minha carne e beber do meu sangue”.

6. Creio que se tivesse mais “Teó-fago”, do que “Teó-logo”, teríamos menos discurso, e mais bondade, pois quem discursa sobre Deus, tem argumento até para genocídio, encontra razão para matar, mas quem experimenta Deus compreende que a razão se fez carne e preferiu morrer!

7 – Creio que o amor de Deus rege o universo e não o poder, pois o amor relativiza o poder, e admite ser contestado, o poder se impõe. Deus admite abrir mão do poder de impor, aceitando o homem se opor, a onipotência de Deus está em que ele pode não poder!

8 – Creio que a vida é o bem maior que temos, devemos reciclar tudo em nossa existência e descartar o que não tiver conexão com a vida, o verbo se fez carne e não discurso, por isso a teologia piedosa e verdadeira tem como lente “cristo em carne”, e não “cristo em discurso”.

9 – Creio que a as pessoas estão acima das instituições, por isso toda instituição existe em função das pessoas e não o inverso, quando inverte-se esse principio, a confissão de fé tiraniza torna-se exploradora e opressora, sendo meio de destruição daquilo que se propõe re-construir: "Aimagem de Deus no homem".

10- Creio que a noticia alvissareira do evangelho é que “Deus se tornou carne”, Ele não apresentou teses do de seu poder com verdades eternas, mas simplesmente enfrentou na carne os paradoxos da vida.

11 - Creio que Deus não se busca, pois ele não está “Lá” onde preciso me esforçar para encontrá-lo, embora Ele seja transcendente, “Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de tudo”, Ele é transparente “por tudo”, também é imanente “e em tudo”. (Ef 4:6).Sendo assim todos esforços para “buscar Deus” é desnecessário, pois ele está em tudo, embora não seja tudo!

12 – Creio que em Cristo a teologia tem sua gênese “de baixo para cima”, e não de “cima para baixo”, afinal ele desceu, para depois subir, quem deseja subir, deve andar na poeira das suas sandálias, não se encontra Deus no “Espírito”, pois Deus se encontrou com o homem “em-carne”.

13 – Creio que a adoração deve começar na horizontal, e não na vertical, pois a recomendação de Cristo é que ao ofertar a Deus “vertical”, e lembrar-se que teu irmão tem algo contra ti “horizontal”, deixa a tua oferta e vai reconciliar com o teu irmão. Ou seja, o caminho para a dimensão vertical (Deus) tem sua genética na horizontal (homem).