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Jl-reflexoes

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Enfrentando as angustias da vida.


Salmos 137:1-9.
Ninguém se prepara para as adversidades da vida, somos sempre pegos de surpresa, os acontecimentos que nos causam dor, não são planejados, chegam e invadem a nossa vida,  muitas vezes estaremos onde não estará o nosso coração, e não temos força para fazer nada a impotência tira-nos a capacidade de reagir, até mesmo as alegrias de ontem, servem para aumentar a tristeza hoje, e o valor do que amamos se revela na perda, pois a proximidade obscurece a realidade da importância do objeto do nosso amor.

As nossas dores poderão ser ignoradas e a insensibilidade do outro será um risco de que os padrões impostos por aqueles que não experimentaram na sua existência as aflições, queiram que camuflemos os nossos sentimentos, então corremos o rico de nos tornarmos psicopatas, onde os sentimentos estão desconectados da realidade, de tanto esconder a realidade e mostrar a ilusão do que os outros querem que mostremos podemos perder a sensibilidade e ocultar uma expressão de dor com gestos de alegria, eliminando qualquer possibilidade de usar as dores da existência como pedagoga para nos tornar pessoas mais sensíveis.

Conviver com a insensibilidade do outro, trás o risco de nos tornarmos insensíveis, pois no momento de expressar a dor que sentimos, a ocultarmos para adequar-se aos padrões da sociedade, substituímos o momento de lágrima por um sorriso pálido, e ainda entoaremos um cântico, quando há gemidos nos recônditos da alma.

Esquecemos que o ser humano saudável é aquele que expressa a verdade dos seus sentimentos, pois aprendeu que há momentos para todas as coisas, e que se é momento de chorar, não se deve cantar, pois se cantarmos no momento de chorar, corremos o risco de gravar no cortéx cerebral , a pseudo mensagem de que para a tristeza a resposta é o sorriso, e quem é o psicopata? Se não o que perdeu a coordenação dos sentimentos, que não sente dor quando o momento é de sentir? Ou ainda mostra uma expressão totalmente contrária a que deveria mostrar?

Porque existe o sofrimento esse é um dilema da filosofia e da teologia, as religiões tentam dar um sentido nem sempre convincente, mas uma coisa é certa, o sofrimento tem função de assepsia, purifica, deixa o homem mais humano, faz ele aumentar a sensibilidade para com a dor do outro, isso porque ao sofrer, aguça sua percepção , não porque há uma sensibilidade nele, mas porque ele vê no outro a sua dor.

O Salmos 137 narra a trajetória de um homem que soube o que é ser aviltado na sua integridade, soube o que é ser exilado, viveu marcas profundas e mostra indícios do que o levou a viver num abismo de angustia. O cântico do Salmista nos mostra o que acontece ao enfrentar as angustias que faz parte da nossa existência.

 Você poderá estar, onde não estará o seu coração (137:1). “Junto dos rios de babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião”.

O local que se encontrava o salmista era “junto aos rios de babilônia”, isso significa que ele estava longe da sua pátria, longe do desejo do seu coração, o objeto do seu desejo estava longe e quanto maior a distancia entre o sujeito e o objeto de seu desejo, maior a nostalgia, maior a dor, os rios de babilônia representa a dicotomia entre o corpo e o desejo, o desejo estava longe do corpo e o corpo ansiava pelo seu objeto de prazer.

O salmista estava experimentando a triste realidade de que a saudade é a equação da soma da distancia, com a diminuição da possibilidade, e quanto maior a distancia maior a saudade, saudade é ausência do objeto que se ama, pois a proximidade obscurece o valor do objeto amado!

O salmista experimenta algumas revelações dentro desse momento de desespero:
A pré-potencia só existe em razão da ausência da impotência, que é o antídoto para todo o sentimento de onipotência.  “Ali nos assentamos e choramos”. (137:1).

O que fazer quando se é levado por uma força maior que nos oprime, por um evento que nos tira da comodidade da vida, o que fazer quando olhamos ao lado e não vemos solução, ficamos paralisados nos sentindo impotente, nesse momento só nos resta colocar para fora toda a nossa dor.

Foi o que fez o salmista “nos assentamos e choramos”, afinal não tinha mais o que fazer, chorar é um dos momentos mais sublimes do homem, é o momento em que ele se encontra com suas limitações, e vê que ele não é onipotente, que há forças maiores que ele, esse é o momento quem se confessa ateu apela para os deuses, afinal não importa o nome que se dá ao deus, a fé surge na percepção do desamparo e consciência da vulnerabilidade: "O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraido". O acaso também torna-se uma divindade!

Todo sentimento de onipotência parte da pré-potência do sentimento de poder fazer, é o sentimento de que nenhuma circunstância da vida irá o abater, o salmista estava se encontrando com a sua in-potência, era o momento de esvaziar qualquer sentimento de pré-potência, pois a in-potência deixa-nos com a dura realidade de que somos in-potentes para resolver muitos eventos que surgem em nossa vida.

A alegria de ontem, aumenta a tristeza de hoje, o termômetro da tristeza do presente será quantitativo a alegria que se teve no passado! (137:1). “Ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião”

As boas lembranças dos tempos felizes de outrora, não amenizou a dor do salmista, pelo contrário, aumentou! Isso mostra o porquê de muitas pessoas entrarem em depressão quando acometida de perdas, pois essas nos colocam num estado de nostalgia, tem a tendência de nos dominar, de nos deslocar a um tempo que ficou marcado em nossa memória, ao mesmo tempo em que aniquila qualquer perspectiva de futuro.

A alegria do passado serve para aumentar a tristeza no presente, e quanto maior a alegria vivida ontem, maior será a tristeza hoje. “Nos assentamos e choramos, lembrando de sião”! A lembrança de algo que deveria trazer alegria aumentou a tristeza, lembrar da alegria da sua terra dilacerou o seu coração!

Continua...
Essa foi uma série de mensagens pregadas que resolvi escrever.
Devido à extensão do texto a dividi em três partes.
Para não cansar você amigo da blogosfera.

8 comentários:

  1. Professor J.Lima

    Essa sua postagem é maravilhosa, me levou mais ainda ao fundo do poço da melancolia.

    De fato é bem verdade que todos nós não planejamos as adversidades, e elas costumam chegar sem prévios avisos. A dor é ainda maior quando esperamos o melhor e nos sobrevém o pior, como no caso de Jó que até chegou a dizer isto. A tragédia é proporcional as expectativas que nutrimos de sucesso. Não somente a dor da perda se intensifica na comparação que fazemos com o que nós chegamos a ter um dia, para o que perdemos e deixamos de ter, mas também na comparação com o que outro possui.

    Acho que não há nada mais trágico do que uma mãe que acabou de perder o seu filho, e vir um insensível e dizer para ela não chorar!
    Como assim não chorar?
    Entendo que esse é o caminho mais fácil para a insensibilidade!

    Acredito na possibilidade, embora seja dificílima, canalização do sofrimento.
    A minha dor pode ser re-significada e até mesmo um ato terapêutico quando resolvo ajudar o outro naquilo que eu mesmo já perdi um dia.

    Não temos controle das circunstâncias adversas que poderão surgir em nossa vida, mas temos o controle de como nós vamos reagir a essas mesmas adversidades.

    Mas há momentos em que nós não temos forças para reagir, nestes momentos o melhor a fazer é sentar e chorar!!!!

    Abraços e bela reflexão!!!

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  2. Que tocante reflexão, meu caro J. Lima

    Tem de tudo no seu texto: poesia, religião,psicanálise e filosofia. So faltou a canção "valsinha" de Chico e Vinícius como fundo musical (rsrsrs)

    Dentro os muitos trechos instigantes, pincei essa pequena e valiosa amostra:

    "...saudade é ausência do objeto que se ama, pois a proximidade obscurece o valor do objeto amado!"

    É meu caro J. Lima

    "Ah!... que saudades da professorinha que me ensinou o bê-a-bá... Eu era feliz e não sabia"

    Aqui fica um admirador dos seus textos, a espera de mais...


    Levi B. Santos

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  3. Levi é Marcio.
    Esse texto foi uma série de 7 mensagens que preguei nesse texto de salmos.
    Na realidade é bastante existencial, minha intenção era traduzir alguns princípios de filosofia e psicologia, para um público que não tem conhecimento dos conceitos, tão pouco dos termos técnicos, dai a necessidade de colocar de uma forma acessível a eles.
    Abraço e obrigado.

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  4. J. Lima

    Parece-me que não se acabaram as nossas similitudes!!!
    Pois eu sou extremamente existencialista-naturalista-humanista-cristão!!!!!!

    Abraços e estou no aguardo da continuidade desta serie maravilhosa!!!!

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  5. Realmente isso é uma pregação, e parece que exclusivamente para mim, pois ultimamente eu estou muito prepotente, sem medo de nada, sem sentir tristeza, sem sentir desesperos, tanto é que eu as veszes penso que vou morrer logo, pois me sinto pleno. E até mesmo insensível como você Falou.

    Depois eu volto é que eu estou sem tempo de Internet.

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  6. oi mano como e lindo as mensagens que acabei de
    ler parabéns
    muito bom mesmo estou divulgando para as pessoas de campo grande ms agradeço ha Deus por vc se meu irmão
    BEjão fique com Deus continue sendo essa benção que vc é abraçoss

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  7. J.Lima, estou pedindo novamente que você analise a mim, através dos meus versos. Posso mandar pra você? rsrs

    Fico impressionada com a sua capacidade de captar a alma dos poetas e destrinchar aos nossos olhos o que eles querem nos dizer, além de revelar toda a beleza dos poemas.

    Que Deus seja sempre uma verdade para você e que você possa saciar a todos que aqui vierem beber do seu poço.
    Beijão amigo.

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  8. Guiomar já entrei no seu blog e li algumas poesias.
    vou dar uma analisada e depois escrevo minhas impressões ok.
    Abraço.

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